terça-feira, 28 de agosto de 2012

Luta com eles Sá Pinto


“Sporting para sempre” eis a frase que se ergueu nas bancadas do estádio de Alvalade no início do jogo entre o Sporting e o Rio-Ave. O apoio das claques leoninas à equipa era incondicional, apoio esse que passados 90 minutos se reduziu a uma pessoa apenas: Ricardo Sá Pinto. O treinador do Sporting é a estrela maior do clube, o foco de todos os elogios, deixando para segundo plano os jogadores. Sá Pinto é sportinguista, vibra e sofre pelo clube, foi um jogador que sempre lutou até ao limite, todos sabemos. Por outro lado, Sá Pinto, enquanto jogador, agrediu um seleccionador Nacional, teve um episódio idêntico, como dirigente, com Liedson e tudo isso é uma alegria para os grupos organizados de apoio ao Sporting que cantam em plenos pulmões “aperta com eles Sá Pinto”. Sim, as claques do Sporting são e sempre foram parte importante do clube, elogiadas pelos cânticos e apoio ao clube, num registo de fidelidade inquestionável. Mas eles, eles são jogadores profissionais de futebol, homens com personalidade, que não devem gostar de ser tratados como meninos da equipa de juvenis. Eles, sim eles são quase todos internacionais pelas suas selecções, muitas vezes comandados por grandes treinadores, com provas dadas. Eles, com certeza, prefeririam ouvir “luta com eles Sá Pinto” porque ninguém, nem mesmo quem canta, gosta de ser apertado.
Dez minutos após o começo do jogo já todos nas bancadas percebiam a dinâmica de jogo do Sporting. No banco de suplentes do Rio-Ave foram precisos apenas dois. Rui Patrício passa a bola para um dos centrais que a cede ao companheiro do centro da defesa. Este passa para Ínsua que lhe devolve a bola num acto de espirito de equipa. Cedric começa a ficar triste e lá lhe passam o esférico. Carrillo quer participar na brincadeira e desloca-se para o centro do terreno para receber o passe do colega e deixar que Cedric ocupe o seu lugar como extremo-direito, criando com isso um hipotético desequilíbrio na equipa de Vila-do-Conde. Não resulta e a bola volta a Rui Patrício. Tentam então a mesma jogada agora pelo lado esquerdo, mas Ínsua jogou pouco na pré-época e não está para grandes corridas, Capel está ainda longe do que foi na época transacta e Rui Patrício de novo com a bola. Tenta-se agora pelo meio, Gelson para Elias, Elias para Gelson, ali coladinhos, como bons companheiros. Adrien já adormeceu, Wolfswinkel corre de um lado para o outro, sempre assobiado, porque se esforça muito e não consegue passar por cinco defesas sozinho, malandro.
Três remates à baliza por parte do Sporting durante os primeiros 45 minutos, 1-0 para o Rio Ave que rematou apenas uma vez, 3+1=4, foi deveras bonito o jogo na 1ª parte. Ao intervalo entram na equipa leonina André Martins e o reforço marroquino Labyad, ficam no balneário Elias e Adrien. No 1º jogo da Liga Europa frente ao Horsens, com Adrien na posição 8 do meio campo e com Labyad a 10, a equipa melhorou, mostrou um meio campo forte, rápido, mas muitos dirão que eram dinamarqueses, certo. Os minutos passam, André Martins mostra alguma da sua qualidade de passe, a rapidez aumenta ligeiramente e tenta-se uma nova abordagem: como os centrais do Rio-Ave são altos e a especialidade do avançado holandês do Sporting não é o jogo aéreo, tudo a centrar bolas altas para a grande área dos vila-condenses. Malandro do holandês, ali sozinho entre dois defesas, não faz uma recepção de bola em condições, muito menos consegue um golo, fora com ele. O Rio- Ave, em contra-ataque, quase marca o segundo golo, o avançado argentino Viola faz a sua estreia e o defesa central Rojo acaba como ponta-de-lança. Zero jogo, zero golos, derrota e uma estrondosa assobiadela aos jogadores. Sá Pinto é o último a abandonar o relvado, ovacionado de pé pelas claques e no final, perante os jornalistas, afirma: “estamos muito fortes.” Quem?
Hoje, horas após a primeira derrota do Sporting no campeonato, opina-se, dramatiza-se, surgem velhos fantasmas nos adeptos do Sporting e põe-se em causa todo o trabalho realizado em Alvalade. Errado. Muitos dirão que os jornalistas só atacam o Sporting, nunca questionam o FC Porto e o Benfica, “porrada neles”. Errado também. O plantel tem excelentes jogadores, já praticou futebol de qualidade na época passada e com menos soluções, Carlos Freitas e Luís Duque experiência e sabedoria e o treinador do Sporting tem força e mística nas bancadas. Confrangedor é ter-se presenciado a três jogos oficiais horríveis por parte a equipa leonina, com o treinador a afirmar precisamente o contrário. Se o guarda-redes é dos melhores do Mundos, a defesa tem tremenda qualidade, existem boas soluções para o meio campo, nas alas estão excelentes jogadores e existe um avançado que não desaprendeu de uma época para a outra, como pode o Sporting jogar tão mal? Sim, neste momento o futebol é mau e isso espanta todos, adeptos, adversários, jornalistas e, segundo me foi informado, a maioria das mulheres que detesta que o Wolfswinkel seja insultado.
Hoje re-bolamos com o Sá Pinto de suspensórios

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Re-bolamos na queda musical alemã



Sá Pinto, treinador do Sporting, mantém um silêncio sepulcral relativamente aos “casos” Adrien, Jeffren e Onyewu. Conta com todos e gosta de todos, diz. O treinador do FC Porto, Vítor Pereira, fala abertamente sobre as agressões entre Álvaro Pereira e Kléber. Jorge Jesus, timoneiro máximo do SL Benfica ainda não veio a público afirmar que o clube encarnado vai ganhar o campeonato e a Liga dos Campeões. Com tudo isto, existirá por certo algum plano secreto de austeridade, que resultará numa transformação do futebol em Portugal.

Realizou-se ontem a 1ª edição do troféu Cinco Violinos com o Sporting a vencer o Olympiakos por 1-0, golo de Elias. Viu-se uma equipa com um futebol lento e pouco criativo na 1ª parte, ligeiramente melhor na 2ª, mas muito longe das prestações do último terço do campeonato transacto. Boa estreia de Labyad, Adrien em excelente plano, centrais com muita qualidade, mas resta saber quando Sá Pinto vai perceber que Rinaudo é o único trinco da equipa que consegue, com competência, fazer a transição defensiva para a ofensiva. Facilitaria tudo. Ainda por Alvalade, desde que o antigo internacional português foi escolhido para dirigir a equipa, o grande lema é “aperta com eles”. Apertar é o verbo indicado, nas contas/gastos, nas declarações e presumivelmente no balneário. Comprou-se bom e barato, em teoria, sobretudo para posições deveras fragilizadas em campeonatos anteriores, tornando a equipa mais competitiva e capaz de lutar pelo título, em teoria, novamente. Fala-se pouco e o pouco que se diz é para elogiar os “24-25 titulares da equipa”. Fora do clube, no entanto, advogados e pais de jogadores produzem monólogos surdos. Declarações enigmáticas no Twitter também existem para os lados dos EUA e para juntar ao festim, um presidente da Assembleia Geral que anda triste por não poder dizer o que pensa.

O Benfica deslocou-se à Alemanha para mais um jogo de preparação, no caso para defrontar o Fortuna de Dusseldorf. Enquanto houve futebol os encarnados deixaram uma imagem de pouca qualidade e dinâmica. A pré-época foi longa e dura, normal que o cansaço acumulado se reflita nesta última semana antes do início do campeonato. Depois, o momento mémé[1] com árbitro a querer expulsar Javi Garcia, Luisão a encostar-se ao juiz numa tentativa de com ele dançar um “pagode”, mas sem o efeito esperado tal foi a força do encontrão que deu no seu par: o senhor alto e bem constituído caiu inanimado no relvado e ali ficou durante uns segundos. Emoção pela tamanha dose de carinho, ou híper criatividade na hora de dar a tampa? Muitos foram os sorrisos entre técnicos, jogadores e dirigentes do Benfica perante a situação caricata que, de tão caricata, pode levar à suspensão do jogador brasileiro durante alguns meses. Existem vídeos que com certeza não farão rir os responsáveis do Benfica e isso sim, é muito negativo para o futebol português, clube e atleta.

O FC Porto ganhou a Supertaça ao vencer a Académica 1-0, com golo do reforço Jackson aos 90+1 m. Sem Álvaro Pereira e Kléber, os dois jogadores que durante um treino decidiram praticar um desporto que não o futebol, os campeões nacionais, mesmo sem grandes rasgos de qualidade, dominaram durante os 90 minutos uma Académica que tentou repetir a fórmula que possibilitou vencer o Sporting na final da Taça de Portugal, sem o mesmo sucesso. Nota interessante do jogo foi perceber que durante 57 minutos o treinador do FC Porto tentou mostrar aos portugueses como é possível Defour fazer esquecer João Moutinho. Não é possível.   

Hoje re-bolamos solidários com o árbitro alemão e ao som dos cinco violinos.


[1] Momento cómico de alta qualidade. E sim, se repararem as ovelhas estão sempre a rir

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Em águas de prata

Sem champanhe e órgãos de comunicação social presentes, a “inauguração” do Re-Bola na Relva fica marcado pela conquista da 1ª medalha para Portugal nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Fernando Pimenta e Emanuel Silva, no K2 1.000 metros, terminaram a prova no 2º lugar, conseguindo assim a medalha de Prata por que todos os portugueses ansiavam. Contra todas as expectativas os dois atletas remaram para um feito inédito, merecendo todo o reconhecimento da Nação, o aplauso unânime e uma recepção digna aquando da sua chegada. Se uma medalha é pouco para um País tão grande e competente como o nosso, já veremos.

Ainda os dois remadores estavam na água e logo começaram as discussões estéreis de que se deve apostar mais nas modalidades e menos no futebol, ou se valerá a pena gastar tantos milhões para se ganhar apenas uma medalha. Em Portugal é culturalmente impossível igualar o futebol a qualquer outro desporto, tal como é impossível estarem 50 mil pessoas a assistir a uma prova de remo, judo e até mesmo a um meeting de atletismo. A verdade é que nem uma luta na lama entre mulheres semi-nuas conseguiria encher um estádio de futebol. Hoje e sempre, sendo o sempre relativo ao nossos tempo de vida, as massas preferirão uma bola na relva.

Parando para pensar, num país onde o futebol é o desporto mais apreciado/praticado e as dificuldades de recrutamento são tão elevadas ao ponto de não existirem mais de 20/25 jogadores de qualidade para a Selecção Nacional (com optimismo), como se pode exigir que atletas de modalidades ditas amadoras consigam sucessivamente grandes feitos? Para formar desportistas fortes e com mentalidade ganhadora é preciso que a sociedade portuguesa mude, uma vez que até nos bons resultados a tónica reinante é de crítica e desprezo pelos feitos que se conseguem. É, sem dúvida, bem mais reconfortante “chorar” as ausências de Naíde Gomes, Nelson Évora e Francis Obikwelu. E sim, os responsáveis máximos do País devem criar mais e melhores condições para os atletas das modalidades amadoras.

Ainda em relação a Londres 2012, será curioso saber que equipa vai defrontar o Dream Team dos USA na final de Basquetebol. Tem sido avassalador o jogo apresentado pelos atletas da NBA e com Kobe Bryant, Kevin Durant, Lebron James – referindo apenas os três melhores jogadores do Mundo - parece impossível alguém conseguir vencer os americanos. Retiro o que foi referido anteriormente, se o Dream Team viesse a Portugal fazer um jogo teria com facilidade 60 mil pessoas a assistir. Devemos talvez voltar à discussão sobre futebol e modalidade, mas só talvez...

No atletismo todos esperam uma final dos 200 m escaldante, com Usain Bolt como grande favorito. Depois da rapidez com que o jamaicano correu os 100m, poucos são os que agora duvidam que o atleta será elevado ao nível dos super-heróis, sem capa, mas com uma respiração tão calma que quase parece que acabou de sair da cama. Falando em super-heróis, o nadador americano Michael Felps retira-se da alta competição com 22 medalhas olímpicas. Um “tubarão humano” que perdurará nos livros da história dos superdotados. 

Hoje re-bolamos e festejamos na água de prata.