Existe alguma semelhança entre o Sporting e o Benfica? Nenhuma. São clubes completamente antagónicos, hoje, no passado, e com certeza no futuro. Há, no entanto, momentos da história que nos fazem acreditar que as almas gémeas são uma realidade, qual sensação amorosa de destino dramaticamente romântico e impiedoso. Na penúltima jornada do campeonato, o Sporting perdeu a possibilidade de disputar qualquer competição europeia na época 2013/2014. Tal fracasso acontece ao clube de Alvalade pela 2ª vez na sua centenária história, após uma época miserável onde três treinadores, uma Direcção demissionária e eleições ajudaram a afundar um barco há muito à deriva. Jesualdo Ferreira, o terceiro, competente e conhecedor do futebol português, ainda tentou fazer um milagre, apostou nos jovens talentos da formação do clube, deu confiança aos mais experientes, a equipa melhorou. Os mais jovens como Bruma, Ilori, Dier e Zézinho, mostraram grande capacidade, Capel, Rojo, Rinaudo e André Martins, elevaram jogo colectivo da equipa a um patamar superior, mas o estrago estava feito. Bater no fundo de alguma coisa sem ser metafórica pode ser positivo, caso os responsáveis máximos do Sporting saibam, de uma vez por todas, identificar os problemas, corrigi-los e transformar as últimas épocas desastrosas, na base de um crescimento sustentado. O Sporting chegou ao limite do erro, a partir deste momento ou cresce ou desaparece, porque um clube tão grande não pode mostrar algo tão pequeno. Isto à semelhança do que aconteceu ao Benfica até à entrada (2003) do actual presidente do clube, Luís Filipe Vieira e após terriveis anos com Vale e Azevedo e Manuel Vilarinho à frente do clube.
Repito, não existem semelhanças entre os dois grandes clubes de Lisboa. Repito ainda que apesar de alguns momentos da história poderem exaltar a ilusão de um final feliz com corações cor-de-rosa, nada fará os dois rivais passearem na rua de mão dada. No mesmo dia em que o Sporting se envergonhou, o Benfica, pelo 2º ano consecutivo, perde o campeonato para o FC Porto (ninguém acredita que o clube da invicta perca pontos na última jornada em Paços de Ferreira). Luís Filipe Vieira apostou mais uma vez numa equipa forte, com jogadores de eleição, muito caros, mas de eleição. Jorge Jesus mereceu a confiança do dirigente encarnado e o Benfica fez um campeonato digno das melhores equipas europeias. Venceu quase sempre, praticou um futebol bonito, efectivo, chegou a três jornadas do fim com quatro pontos de avanço sobre o FC. Porto e festejou (como se viu contra o Marítimo). Em dois jogos perdeu cinco pontos, perdeu o campeonato, perdeu a euforia, o produto interno benfiquista caiu a pique e tudo é agora colocado em causa: treinador, jogadores, a águia e o seu tratador. Concordo que não existem desculpas, que o Benfica não pode perder o campeonato, dois anos consecutivos, nas últimas jornadas, com cinco pontos de vantagem em 2011-2012 e quatro pontos esta época. Mas esquecem-se os sócios do clube encarnado que faltam disputar duas finais, a da Liga Europa e a Taça de Portugal, numa época que ainda poderá ser de sonho para os benfiquistas. Num cenário menos vitorioso, pode, na verdade, tornar-se na época do “quase”. Isto à semelhança do que aconteceu ao Sporting de José Peseiro em 2005.
Hoje Re-Bolamos nas não semelhanças.