sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Baixa da TQF das equipas portuguesas

A primeira ronda de jogos das equipas portuguesas nas competições europeias está concluída e uma realidade difícil de aceitar abateu-se sobre todos os portugueses: a taxa de qualidade futebolística (TQF) baixou. Estranho que o sentimento seja doloroso, sobretudo porque quando uma taxa baixa, geralmente é boa notícia. Neste caso o prejuízo é enorme para os adeptos e patrões, para a esperança e a moral. A única boa notícia é constatar-se que o FC. Porto continua a mostrar que é o único clube em Portugal, actualmente, com dimensão europeia, que pode ganhar qualquer jogo e que mesmo sem Hulk a equipa não perde qualidade, ou, sobretudo, eficácia. Não fez um jogo brilhante, mas chegou a Zagreb, num ambiente difícil e venceu, sem grande esforço, o Dínamo onde joga o defesa central português Tonel. Começar a ganhar na Liga dos Campeões (LC) é, na maioria dos casos, um passo decisivo para o apuramento para os oitavos de final. E o FC Porto não falhou. Tal como não falhou o carácter e profissionalismo de Lucho Gonzalez, mesmo numa hora difícil com a morte do seu pai. Respeito!
O Benfica deslocou-se a Glasgow para defrontar o Celtic num jogo que se pensava difícil, mas onde a equipa portuguesa partia como favorita, apesar de não poder contar com jogadores influentes. Defendeu bem, atacou menos mal. Foi solidária, mas com pouco futebol de qualidade. Jorge Jesus afirmou, após o jogo, que ganhou uma equipa, mas os adeptos não o sentem, prometeu evolução e vitórias, mas poucos acreditam que esta equipa possa chegar longe na LC. E existe o Barcelona, mas pior, há um Spartak de Moscovo que perdeu em Camp Nou por 3-2, obrigando o vice-campeão espanhol a um esforço triplicado. A equipa russa é forte e o Benfica terá de aumentar bastante a taxa, com certeza os seus adeptos apoiarão. A estreia do SC Braga na Liga dos Campões começou com uma fria derrota. O Cluj, a equipa mais portuguesa da Roménia, aterrou em Braga, correu, mostrou qualidade, controlou o jogo bracarense, marcou dois golos e voltou para casa feliz. O Braga mostrou que apesar do crescimento dos últimos anos, precisa primeiro de ganhar qualquer troféu a nível interno, só depois pensar em voos mais altos na elite europeia.   
Na Liga Europa (LE) a Académica estrou-se com uma derrota por 3-1-frente ao Viktoria Plzen, campeão da República Checa. Os estudantes mostraram uma equipa organizada nos primeiros 30 minutos, marcaram um golo numa excelente jogada de ataque, mas a qualidade da equipa checa é superior, mais experiente e o árbitro decidiu participar na praxe académica. A frase “os treinadores é que trabalham com os jogadores” é politicamente correcta, mas é difícil entender o que faz um treinador abdicar de um dos melhores guarda-redes a jogar em Portugal, Peiser. Na Madeira o Marítimo recebeu o Newcastle num jogo que se resume a três remates aos postes, alguns lances de bola parada perigosos, os ingleses a jogarem com uma equipa B e um final de tarde deveras bonito. A taxa é baixa, ninguém saiu a ganhar, excepto o turismo madeirense que agradecerá a chagada de muitos ingleses nos próximos tempos à ilha. 
A jornada europeia terminou com a recepção do Sporting ao Basileia. Existe uma noção de realidade em Alvalade assustadora. O treinador afirma categoricamente que a equipa está bem, merece vencer, pratica bom futebol. Inverdade, a equipa não pratica bom futebol, existem jogadores que estão bem longe do nível da época passada, Jeffren continua desaparecido, Labyad só conta 10 minutos, Rinaudo demora a recuperar. Carriço e Pereirinha são elementos sem qualidade para um clube como o Sporting, o avançado Viola só dá música nos treinos e Elias, internacional brasileiro, precisa fazer 30 remates para acertar uma vez na baliza. Sá Pinto não dura mais 90 minutos em Alvalade, os mesmos minutos que ontem levaram os adeptos ao desespero. E o Basileia nunca pensou chegar a Lisboa e ter a iniciativa de jogo. Sim, ontem o Sporting jogou, mais uma vez, como equipa pequena, a defender no seu meio campo e Wolfswinkel a correr sozinho perseguindo os defesas suiços. Sá Pinto tem um mérito, criou uma nova posição num jogo de futebol e para sempre será recordado por isso: o rabiado!

Hoje re-bolamos na relva azul-branca.

 

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