Portugal é, foi e continuará a ser um país de exageros. Exagerámos quando conquistámos o Mundo, exagerámos quando o perdemos. Exageramos na felicidade e na tristeza, quando vencemos e quando perdemos, exageramos na gratidão e, talvez um pouco mais, na ingratidão, simplesmente porque exageramos em tudo o que é mais negativo. Vejamos: os adeptos do Benfica não gostam de Óscar Cardozo. Não tem carisma, parece lento, pastelão até, luta pouco, envergonhado e pouco exuberante. Olhando por olhar parece isso tudo. Mas tenho a certeza que quando o paraguaio assinou pelo clube encarnado, no seu contrato não dizia que ele tinha de ser exuberante, bonito ou ter o carisma do Obama. Marca golos, muitos golos, a maioria deles em grande estilo, brilhantes até. Faz passes de qualidade, tem noção de espaço e desmarcação, é o melhor avançado a jogar em Portugal. Exagero?
No FC Porto dá-se o inverso, exagera-se para mais. Falcão chegou, marcou (muito), ganhou títulos importantes e foi embora sem olhar para trás. Para a época 2012/2013 chegou outro colombiano, Jackson Martinez. Sim, chegou, marcou, ainda não ganhou nada, nem se foi embora, mas a época nem a meio vai. Dizem nas bancadas do estádio do Dragão que é melhor que Falcão, dizem porque é preciso esquecer um grande amor que partiu rumo a outros corações. Mas os exageros de amor são os que mais dificuldade têm de ser explicados pela razão e apesar de Martinez ser um jogador de elevada qualidade, Falcão é, presentemente, um dos cinco melhores do Mundo. Não exageremos, então.
No Sporting os exageros acumulam-se, para mais, para menos, para todo o lado. Rui Patrício foi literalmente pressionado ao extremo durante quatro anos. Agora, para os adeptos leoninos, já é o melhor do Mundo na posição de guarda-redes. Não é, está entre os cinco melhores, mas ainda falta um pouco para lá chegar. Matias Fernandez não servia porque estava sempre lesionado e ganhava muito dinheiro. Foi embora o melhor nº 10 que Alvalade viu depois de Balakov. Foi-se o chileno e ficou Izmailov, o melhor jogador do campeonato português para os adeptos verde-e-brancos. O russo está sempre pronto para jogar, nunca se lesiona e faz a posição 10 como ninguém. E ganha pouco, penso. Exagero? Pois é, nascido e criado em Portugal.
PS: Para os lados de Braga, talvez por estarem perto do berço da nação que é Guimarães, exagera-se ao nível da dívida pública portuguesa. Boa equipa, bons jogadores, óptimo treinador, mas até ser um grande tem, pelo menos, de ganhar alguma coisa... palpável.
Hoje re-bolamos no exagero porque nos faz sentir felizes.