segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Tautau em peruano?

Lembro-me, quando andava na 4ª classe, de muitos colegas ficarem de castigo, a um canto, virados contra a parede. Nunca vi as tão faladas orelhas de burro, mas lembro-me também que apanhávamos reguadas nas mãos, castigo exemplar que moldaria o nosso carácter, pensavam na altura as professoras. Recordo-me que a senhora incumbida de me ensinar era conhecida das minhas avós e que, muitos anos depois, sempre que estas encontravam a dita, eram bombardeadas com inúmeros elogios relativos à minha educação e inteligência. Sim, as minhas mãos eram atacadas por uma régua com um buraco na ponta, mas eu era um puto exemplar, segundo a “batedora”, toma lá. Resumindo, pelos vistos os castigos devem ser impiedosos e marcantes para nos tornarmos exemplares. Por tudo isto percebo por que razão Carrillo não joga no Sporting. O jovem tem 20 anos, foi chamado à selecção do Peru, saiu à noite com a namorada e uns amigos quando não devia, logo está de castigo, talvez num canto, porque as réguas com buracos já não existem.
Não importa que o jovem internacional tenha sido o melhor jogador do SCP nas primeiras cinco jornadas. Muito menos que seja o único jogador do clube leonino que enfrenta as defesas contrárias sem medo ou hesitações, que faça assistências ou marque golos, não interessa, interessa castigá-lo por algo que fez bem longe de Lisboa. Deixo claro que gosto de disciplina, de pessoas que cumprem com as suas obrigações e respeitam códigos de conduta. Mas também gosto de pessoas que erram, que crescem e aprendem com os erros, mostram ser humanas. Defendo que se mostre firmeza e, sobretudo, que se faça ver que existem comportamentos profissionais inapropriadas, Carrillo teve um, ninguém dúvida. Já não gosto, no entanto, que um activo importante esteja sem trabalhar. Seja num hospital, num jornal, num clube desportivo, os activos estão lá para isso, trabalhar.
Penso que o pior castigo é obrigar, quem não esteve a altura, em determinado momento, a trabalhar o dobro, nunca deixá-lo longe das funções para o qual foi contratado. Perde a pessoa e perde quem o empregou, tendo na maioria das vezes um efeito psicológico deveras pernicioso, sobretudo nos jovens que ainda não têm uma estrutura emocional forte. Neste caso perde um jogador, que em breve estará nas fileiras de um grande clube europeu, e perde o Sporting que necessita de jogadores de categoria elevada para voltar a ser uma grande equipa e de dinheiro vivo para equilibrar as contas do clube. E ninguém contrata um funcionário que não mostra as suas qualidades profissionais. Já agora pergunto, o André Martins também está de castigo ou consideram que é inferior a Gelson, Elias e ao Adrien? Teremos em breve um novo sucesso do filme “João Moutinho e André Martins o Reencontro”? É que no caso do André Martins nem é preciso estar dentro do clube para perceber que o jovem repito, o jovem tem uma atitude exemplar dentro e fora de campo.
Hoje re-bolamos no tautau peruano!
 


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