Cristiano Ronaldo e José Mourinho não são apenas enormes profissionais, ganhadores natos e ídolos em quase todo o Mundo: são um “banco alimentar” diário em forma de pessoas. Em Inglaterra já era assim, apesar da cultura desportiva no país de Sua Majestade ser completamente diferente da realidade da península ibérica. Em Espanha o fenómeno “escrevo para comer” cresceu exponencialmente. A cobertura dada aos dois maiores símbolos portugueses da actualidade é incessante, mordaz, poucas, mas algumas vezes elogiosa. A quantidade de profissionais da comunicação social, e outros que não o sendo debitam as mais variadas opiniões, que ganham a vida à custa dos dois portugueses é consideravelmente elevada. Com o jornalismo em crise, sobretudo na Europa e nos EUA, Ronaldo e Mourinho são o pão para a boca dos jornalistas espanhóis que, em alguns casos, mantiveram os seus empregos graças à pressão mediática que é necessário manter. O que os espanhóis não percebem é que, maltratando diariamente quem lhes dá de comer, quando os dois mudarem de campeonato/país, pouco ou nada haverá para escrever e... deglutir.
O Barcelona vencerá campeonatos atrás de campeonatos com a maior facilidade do Mundo, ninguém terá o nível de Leonel Messi, as conferências de imprensa serão sonolentas e cheias de lugares comuns e não poderão inventar notícias, num processo que transformou, desde há dois anos para cá, o jornalismo desportivo espanhol num romance de 3ª categoria. Mas sim, vende, e vende muito, e muitos recebem esse retorno tão elevado. Em Portugal, e sendo Espanha um país vizinho, faltou apostar em algo semelhante. Investir numa cobertura diária dos inúmeros jogadores portugueses a jogar em Espanha, sobretudo os do Real Madrid, mas não com notícias retiradas dos jornais espanhóis, estando antes presente, sempre. Poucos terão dúvidas que 90% dos leitores dos jornais desportivos em Portugal preferem ler uma conferência de imprensa na íntegra de José Mourinho (não falando dos exclusivos que Mourinho iria dar só para irritar a comunicação social espanhola), do que o discurso “sou pior que os mais maus” do Vítor Pereira ou do sexólogo Jorge Jesus e as suas considerações sobre a vida sexual, ou falta dela, dos seus jogadores.
Falando em apostas, hoje ao final da tarde serão entregues pela FIFA dos prémios de Melhor Jogador do Mundo e de Melhor Treinador do Mundo, com Cristiano Ronaldo e José Mourinho nomeados. Antecipo-me, não quero escrever algo amanhã que mais 20 colegas de profissão farão igual. Os dois portugueses vão perder o prémio para Messi (internacional argentino do Barcelona) e Del Bosque (seleccionador de Espanha). Perdem e muito bem dirão alguns, uma injustiça, dirão outros. Por mim ganhavam os dois porque me fazem sentir orgulhoso, mas isso pouco importa. Mourinho ganhou em todos os campeonatos em que competiu, só pode ser muito bom. E quem estiver atento aos jogos no relvado, que é onde interessa, e de uma forma honesta (sem clubismos ou nacionalismos), percebe que Ronaldo e Messi estão ao mesmo nível. Em alguns casos até as movimentações são iguais, apesar de jogarem em equipas tão distintas. Se uns gostam mais da forma de jogar de CR7, legítimo, acontecendo o mesmo quanto a Messi, mas fenomenal seria Florentino Perez, presidente do Real Madrid e Sando Rossel, o seu homólogo do Barcelona, trocassem os dois jogadores durante uma temporada, uma temporada apenas. O Mundo iria gostar, os jornalistas espanhóis também e todos manteriam os seus postos de trabalho. Mesmo que o romance de 3ª categoria se mantivesse.
Hoje Re-Bolamos num "banco alimentar".
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