terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Nirvana branco/blaugrana

Hoje de manhã no metropolitano sentei-me junto a um grupo de jovens adolescentes. Segundos depois oiço uma música dos Nirvana tocar num dos telemóveis e interroguei-me: mas estes miúdos ouvem Nirvana? Devo ter pensado alto porque me responderam: “sim ouvimos, Kurt Kobain é imortal e a música dos Nirvana mudou a nossa vida”. Percebi que os jovens tinham entre os 14 e os 15 anos, ou seja, a mesma idade que eu tinha quando ouvi pela primeira vez as músicas da banda de Seattle. Passaram 21 anos e aquela poderosa energia de talento acompanha de forma indubitável outra geração. Talento, o talento superior de uns, alimenta tantos outros e hoje, às 20 horas, em Camp Nou, lá estaremos todos para saborear a arte de 22 jogadores capazes de fazer parar o Mundo. Barcelona-Real Madrid ao som das músicas de Nirvana, o final de dia perfeito.
Quando os dois colossos espanhóis entrarem em campo sentir-se-á um autêntico o Territorial Pissings onde os atletas vão procurar encontrar a melhor forma de se superarem, tornarem-se alliens com poderes sobrenaturais e conquistar a vitória. Ali, no relvado, os medos, ansiedades e derrotas passadas serão colocadas numa Heart-Shaped Box. Não há espaço para fraquezas porque estas serão usadas para vencer, sem contemplações! Ao contrário do que cantou Kurt Kobain no Jesus Don't Want Me For a Sunbeam, muitos serão os raios de sol que iluminarão a noite catalã. Cristiano Ronaldo ou Messi, Ozil ou Iniesta, Pepe ou Puyol, outros, mas sempre alguém, uns chorarão, outros vão sorrir como nunca, ninguém vai mentir, o talento não mente, mesmo quando por vezes não vence.
O Plateau está pronto, venha o apito, a escalada de emoções, a ausência de razão, um remate, um desespero, um golo e muita alegria. Come As You Are, como queremos que sejas, sê perfeito porque neste momento o Mundo precisa de alguma perfeição, tu ou tu, tanto faz. Espera-se puro Lithium, espera-se uma noite quente de gladiadores em batalha num clima de paz. E o melhor do Mundo serei eu, tu, todos os que durante 90 minutos tiverem a possibilidade de observar 22 Kurt Kobain`s que também eles mudarão a vida de tantos adolescentes de 14/15 anos. Desses, das crianças e dos adultos que daqui a 20 anos dirão com uma alegria imensa que durante anos tiveram o mais puro talento diante dos seus olhos. E amanhã quando a minha mulher me perguntar Where Did You Sleep Last Night eu direi: “contigo e com o talento da tua paciência para me ver a vibrar tanto com um jogo de futebol”. 

Hoje Re-Bolamos para o Nirvana

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Somos todos adultos?

Bruma, 18 anos, jogador do Sporting Clube de Portugal, por muitos apontado como uma das grandes promessas da Academia leonina, estreou-se a marcar na equipa principal verde e branca na vitória por 2-3 frente ao Gil Vicente, em Barcelos. No final do jogo, nas entrevistas rápidas à SPORTTV, afirmou: “Actuámos com uma equipa muito jovem, mas já somos todos adultos”. É fácil pensar que um jovem de 18 anos não tem maturidade para jogar numa equipa com a exigência do Sporting, ainda mais numa temporada que tem sido, no mínimo, horrível em termos de exibições e resultados. Tal como é fácil afirmar que um jogador de 35 anos já acabou para o futebol. Menos fácil, ao instinto do facilitismo, é entender que quando existe qualidade a idade é subjectiva. Com 18 ou 35 anos, quando existe qualidade, empenho e carácter, a idade é como uma mulher que adoramos, mesmo que a dita tenha bigode,é pouco relevante. É, por outro lado, bastante relevante um jovem de 18 anos não ter medo de afirmar que é adulto suficiente para ajudar a equipa, sem medo.
Fácil seria agora escrever que o Sporting, depois da prestação tão bem conseguida pelos jovens da formação, resolveu todos os seus problemas. Difícil dizer que é mentira, mas é. Eric Dier é já um bom defesa-central, Tiago Ilori faz lembrar jogadores como Pepe, com aquela passada larga e rápida, Bruma tem tudo para ser um grande extremo, Esgaio é talentoso e tacticamente evoluído e André Martins, há muito que é um jogador acima da média. Por último o Zézinho, não engana, é como o algodão, vai ser um jogador de topo. No entanto, é crível que até ao final do campeonato nem sempre joguem como titulares, mas ficou a imagem de “miúdos adultos” capazes de correr, lutar, divertirem-se e, muito importante, vencerem. Venceram porque a qualidade está lá toda, resta saber, tal como disse o treinador leonino, Jesualdo Ferreira, qual o caminho que querem seguir. Parece-me que o caminho vai ser o correcto. Tal como é correcta a aposta de Jorge Jesus, treinador do Benfica, em André Almeida, um jogador que para a idade demonstra qualidades suficientes para se tornar num jogador de nível elevado. Mas para um clube como o Benfica, apenas um jogador da sua formação é… curto.
PS: parece-me que seria importante os clubes prepararem melhor os seus jogadores, sobretudo os mais jovens, ao nível da comunicação. Há muito que deixou de ser aceitável no futebol profissional que uma entrevista se torne deveras confrangedora. E qualquer professor de português, assessor de imprensa/jornalista pode ajudar nessa tarefa tão simples.
PS2: terá Paulo Bento capacidade de “olhar mais à frente” e pensar nalgum destes jovens que está a surgir a um nível já elevado e aproveitá-lo para o Mundial 2014 no Brasil, ou a receita de Rúben Micael, Rúben Amorim, Neto, Rolando ou Varela vai-nos levar ao triste fado de ter 11 jogadores de qualidade inquestionável e… nada mais? Todos sabemos que isso não chega numa competição como um Mundial.
Hoje re-bolamos como adultos!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Parabéns Great One

Hoje Cristiano Ronaldo faz 28 anos. Nunca é demais exaltar a qualidade superior daqueles que nos fazem perceber que podemos ser grandes se assim o quisermos. Depois das dificuldades pelas quais passou em criança, dos momentos menos felizes, fez-se enorme como jogador, gigante como pessoa, diz quem com ele partilha muitos momentos. Eu gosto de pessoas que emanem brilho, com a coragem suficiente para tentar ser melhor todos os dias. Eu gosto de quem nos faz sentir orgulhosos. E Ronaldo, como já escrevi em tempos, é a personificação da muita qualidade associada ao trabalho e à força de vontade. Na sua carreira disputou 601 jogos, marcou 340 golos, fez centenas de assistências para colegas marcarem e foi responsável por milhões de sorrisos nos rostos de quem o admira e idolatra. É este o exemplo que devemos seguir. No fim, todos, festejaremos algo grandioso. Parabéns ao melhor jogador português de sempre, The Great One!
Ps: falando ainda de qualidade, o FC Porto e o SL Benfica demonstram, jornada após jornada, que são capazes de praticar excelente futebol. Merecem, sem dúvida, o rótulo de melhores equipas do campeonato.

Hoje re-bolamos na grandeza!