Bruma, 18 anos, jogador do Sporting Clube de Portugal,
por muitos apontado como uma das grandes promessas da Academia leonina,
estreou-se a marcar na equipa principal verde e branca na vitória por 2-3
frente ao Gil Vicente, em Barcelos. No final do jogo, nas entrevistas rápidas à
SPORTTV, afirmou: “Actuámos com uma equipa muito jovem, mas já somos todos adultos”. É fácil pensar que um jovem de 18 anos
não tem maturidade para jogar numa equipa com a exigência do Sporting, ainda
mais numa temporada que tem sido, no mínimo, horrível em termos de exibições e
resultados. Tal como é fácil afirmar que um jogador de 35 anos já acabou para o
futebol. Menos fácil, ao instinto do facilitismo, é entender que quando existe
qualidade a idade é subjectiva. Com 18
ou 35 anos, quando existe qualidade, empenho e carácter, a idade é como uma
mulher que adoramos, mesmo que a dita tenha bigode,é pouco relevante. É,
por outro lado, bastante relevante um jovem de 18 anos não ter medo de afirmar
que é adulto suficiente para ajudar a equipa, sem medo.
Fácil seria
agora escrever que o Sporting, depois da prestação tão bem conseguida pelos
jovens da formação, resolveu todos os seus problemas. Difícil dizer que é mentira, mas é. Eric Dier é já um bom
defesa-central, Tiago Ilori faz lembrar jogadores como Pepe, com aquela passada
larga e rápida, Bruma tem tudo para ser um grande extremo, Esgaio é talentoso e
tacticamente evoluído e André Martins, há muito que é um jogador acima da
média. Por último o Zézinho, não engana, é como o algodão, vai ser um
jogador de topo. No entanto, é crível que até ao final do campeonato nem sempre
joguem como titulares, mas ficou a imagem de “miúdos adultos” capazes de
correr, lutar, divertirem-se e, muito importante, vencerem. Venceram porque a
qualidade está lá toda, resta saber, tal
como disse o treinador leonino, Jesualdo Ferreira, qual o caminho que querem
seguir. Parece-me que o caminho
vai ser o correcto. Tal como é correcta a aposta de Jorge Jesus, treinador do
Benfica, em André Almeida, um jogador
que para a idade demonstra qualidades suficientes para se tornar num jogador de
nível elevado. Mas para um clube como o Benfica, apenas um jogador da sua
formação é… curto.
PS: parece-me que seria importante os clubes
prepararem melhor os seus jogadores, sobretudo os mais jovens, ao nível da
comunicação. Há muito que deixou de ser aceitável no futebol profissional que
uma entrevista se torne deveras confrangedora. E qualquer professor de
português, assessor de imprensa/jornalista pode ajudar nessa tarefa tão
simples.
PS2: terá Paulo
Bento capacidade de “olhar mais à frente” e pensar nalgum destes jovens que
está a surgir a um nível já elevado e aproveitá-lo para o Mundial 2014 no Brasil, ou a
receita de Rúben Micael, Rúben Amorim, Neto, Rolando ou Varela vai-nos levar ao
triste fado de ter 11 jogadores de qualidade inquestionável e… nada mais?
Todos sabemos que isso não chega numa competição como um Mundial.
Hoje re-bolamos como adultos!
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