quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Má Escolha de Liedson

A relação de Liedson com o FC Porto está para o futebol, como a de um marido que se divorcia da mulher devido aos enormes seios da melhor amiga da dita e que se arrepende passados três meses. O luso-brasileiro foi rei no Sporting, foi idolatrado, defendido sem hesitações e aplaudido de pé por todos os sportinguistas aquando da sua saída de Alvalade. Entre muitos sorrisos, suor e lágrimas, conquistou a Taça de Portugal e a Supertaça duas vezes. Em oito temporadas realizou 313 jogos de leão ao peito, marcou 171 golos. No seu 300º jogo pelo Sporting, frente ao Gent, a contar para a Liga Europa, tornou-se o jogador estrangeiro com mais golos marcados em competições europeias ao serviço de clubes portugueses, totalizando assim 26 golos europeus. No clube verde-branco nunca foi campeão, a sua grande tristeza, como tantas vezes referiu, e acabou por deixar o Sporting no dia 4 de Fevereiro de 2011 rumou ao Corinthians, no Brasil. Rumou porque assim os dirigentes quiseram, foi porque também o quis, com certeza.
Dois anos depois, e após a conquista do campeonato brasileiro com o Corinthians onde marcou 31 golos em 88 jogos e uma passagem com pouco sucesso pelo Flamengo, regressa a Portugal no inverno de 2013 para representar um dos grandes rivais do Sporting, o FC Porto. Os “enormes seios” foram irresistíveis e, pelas palavras do avançado, eram “um sonho de longa data”. Ou seja, enquanto recebia todo o amor por parte dos adeptos do Sporting, Liedson há muito cobiçava as maminhas portuenses. Cobiçou e conquistou. Abraços e beijos à chegada, alguma paciência porque chegou fora de forma, sem ritmo suficiente para aguentar tão proeminentes e redondas exigências. Empenhou-se, treinou, mas não tocava porque no Porto é tudo feito com muito respeito. Treinou mais e mais, sem reclamar, foi correcto e gentil e as proeminências lá o deixaram, de vez em quando, fazer uns remates. Em três meses foi a jogo apenas 51 minutos e não conseguiu marcar nenhum golo. Arrependido?
Entre um passado vivido com glória, o presente aflitivo e pouco palpável e um futuro que só os astrólogos conhecerão (isto segundo o ministro das finanças português, Vítor Gaspar), Liedson podia e deveria ter escolhido todos os destinos do Mundo para acabar a sua carreira como futebolista, todos menos Portugal. Aqui a memória de um jogador franzino, mas valente, tímido nas palavras, mas eloquente na hora de marcar golos, ficaria para sempre intacta. Seria recordado como um dos melhores avançados de sempre do futebol português, a par de nomes como Yazalde, Torres, Manuel Fernandes, Gomes, Jardel ou Falcão, quer por sportinguistas, benfiquistas ou portistas. Hoje, no entanto, tenta-se entender o que leva um homem de 35 anos a escolher maminhas, sem entender que é para o rosto de quem adoramos que olharemos até ao fim dos nossos dias.
Hoje Re-Bolamos no pecado da gula


quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Magia de André Martins


Nunca gostei de frases como “eu bem avisei”, ou “eu não te disse?”, mas eu disse, ou melhor escrevi, a 25 de Agosto no texto Luta com Eles Sá Pinto e, mais tarde, a 5 de Novembro no texto Tautau Peruano, que André Martins é a chave do meio campo do Sporting. Ontem, em Braga frente ao Sporting local, enquanto teve forças foi o maestro na vitória do Sporting por 3-2 e, sobretudo, no melhor jogo ofensivo que a equipa realizou neste campeonato. Tudo o que fez fê-lo bem e volto a dizer: é o jogador mais evoluído do meio campo do clube de Alvalade em termos ofensivos. Também não gosto de me repetir, mas quando Jesualdo Ferreira, treinador competente/inteligente e com o grande mérito de estar a comandar de forma sustentada tantos jovens, abandonar a ideia de tornar Eric Dier num médio e perceber que pode ser, antes, um grande central, o meio campo do Sporting ficará bem mais forte com Rinaudo, Schaars (que regressa após prolongada lesão) e André Martins. Fica, no entanto, para mais tarde, uma análise mais aprofundada sobre este tema. Centremo-nos no jovem leão.
Época 2011-2012, 2ª mão das meias-finais da Liga Europa em Bilbau, frente ao Atlético. Na conferência de impressa que antecedeu a partida, o treinador da equipa basca, Marcelo Bielsa, por muitos considerado como um dos melhores do Mundo, destacou a classe e qualidade do jovem médio de 23 anos, atribuindo-lhe enorme importância na excelente exibição do Sporting no jogo da 1ª mão. Pura e verdadeira realidade. No 2º encontro, e apesar do clube português ter sido eliminado pela fúria espanhola já no final dos 90 minutos, a história repetiu-se, André Martins mostrou, novamente, qualidade suficiente para fazer tremer o meio-campo basco e fazer sonhar os adeptos leoninos. Ontem em Braga, idem. Aliás, sempre que joga, em perfeitas condições físicas, a equipa sobe um degrau. E quando a isto acresce um comportamento de verdadeiro profissional fora de campo, estranha-se, então, o porquê da tão pouca utilização.
Inegável que a lesão que contraiu no primeiro terço do campeonato quebrou o rendimento que vinha a apresentar. Mas mesmo não sendo sempre a primeira escolha para a equipa, passa por ali, pelo puro talento do miúdo, a resolução de muitos dos problemas ofensivos do Sporting. Comparando com o marroquino Labyad e Adrien, jogadores que fazem a mesma posição, apesar do africano jogar ligeiramente mais perto do avançado quando lhe é atribuída a função de homem mais ofensivo do meio campo, André Martins destaca-se pela rapidez de execução, velocidade e domínio dos espaços, com passes quase sempre certeiros. E tudo isto está demonstrado em números que, no entanto, não são precisos: basta ver um jogo com atenção. E basta, agora, o jogador de 23 anos não hesitar e ganhar em definitivo o papel para o qual sempre trabalhou. Ganha ele, o Sporting e Paulo Bento, se tiver a capacidade de ver para além de Ruben Micael ou Carlos Martins.
Hoje Re-Bolamos em 23 anos de classe