A relação de Liedson com o FC Porto está para o futebol, como a de um marido que se divorcia da mulher devido aos enormes seios da melhor amiga da dita e que se arrepende passados três meses. O luso-brasileiro foi rei no Sporting, foi idolatrado, defendido sem hesitações e aplaudido de pé por todos os sportinguistas aquando da sua saída de Alvalade. Entre muitos sorrisos, suor e lágrimas, conquistou a Taça de Portugal e a Supertaça duas vezes. Em oito temporadas realizou 313 jogos de leão ao peito, marcou 171 golos. No seu 300º jogo pelo Sporting, frente ao Gent, a contar para a Liga Europa, tornou-se o jogador estrangeiro com mais golos marcados em competições europeias ao serviço de clubes portugueses, totalizando assim 26 golos europeus. No clube verde-branco nunca foi campeão, a sua grande tristeza, como tantas vezes referiu, e acabou por deixar o Sporting no dia 4 de Fevereiro de 2011 rumou ao Corinthians, no Brasil. Rumou porque assim os dirigentes quiseram, foi porque também o quis, com certeza.
Dois anos depois, e após a conquista do campeonato brasileiro com o Corinthians onde marcou 31 golos em 88 jogos e uma passagem com pouco sucesso pelo Flamengo, regressa a Portugal no inverno de 2013 para representar um dos grandes rivais do Sporting, o FC Porto. Os “enormes seios” foram irresistíveis e, pelas palavras do avançado, eram “um sonho de longa data”. Ou seja, enquanto recebia todo o amor por parte dos adeptos do Sporting, Liedson há muito cobiçava as maminhas portuenses. Cobiçou e conquistou. Abraços e beijos à chegada, alguma paciência porque chegou fora de forma, sem ritmo suficiente para aguentar tão proeminentes e redondas exigências. Empenhou-se, treinou, mas não tocava porque no Porto é tudo feito com muito respeito. Treinou mais e mais, sem reclamar, foi correcto e gentil e as proeminências lá o deixaram, de vez em quando, fazer uns remates. Em três meses foi a jogo apenas 51 minutos e não conseguiu marcar nenhum golo. Arrependido?
Entre um passado vivido com glória, o presente aflitivo e pouco palpável e um futuro que só os astrólogos conhecerão (isto segundo o ministro das finanças português, Vítor Gaspar), Liedson podia e deveria ter escolhido todos os destinos do Mundo para acabar a sua carreira como futebolista, todos menos Portugal. Aqui a memória de um jogador franzino, mas valente, tímido nas palavras, mas eloquente na hora de marcar golos, ficaria para sempre intacta. Seria recordado como um dos melhores avançados de sempre do futebol português, a par de nomes como Yazalde, Torres, Manuel Fernandes, Gomes, Jardel ou Falcão, quer por sportinguistas, benfiquistas ou portistas. Hoje, no entanto, tenta-se entender o que leva um homem de 35 anos a escolher maminhas, sem entender que é para o rosto de quem adoramos que olharemos até ao fim dos nossos dias.
Hoje Re-Bolamos no pecado da gula
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