quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Re-Bolanços Vitoriosos em 2013

O Re-Bola na Relva deseja a todos os seus leitores (consta que são quatro) um ano 2013 cheio de re-bolanços vitoriosos. Depois dos intensos treinos realizados em 2012, com certeza serão 365 dias de muita criatividade, amizade, trabalho concretizado, esperança, alegria, generosidade e educação, sobretudo isso, educação emocional para que a comunicação possa ser mais inteligente, com mais qualidade e exponencialmente mais confiável. Olhem, pelos vistos temos cinco leitores porque José Mourinho, actual treinador do Real Madrid, ligou agora mesmo questionando sobre qual a melhor táctica para usar neste ano que em breve se vai iniciar. Foi-lhe dito deve trabalhar um sistema defensivo baseado num 7-2-1, para que palavras e energias negativas nunca invadam o seu último reduto, táctica essa que se vai desdobrar num 2-2-6 de ataque, que ajudará na concretização de todas as oportunidades que surgirem, sem receio de ser mal sucedido. Ele e todos nós, porque mal sucedidos somos quando deixamos de confiar nas nossas capacidades, em quem nos rodeia e na nossa natureza de saber gostar dos outros.

Um abraço re-bolado

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Exageros à Portuguesa

Portugal é, foi e continuará a ser um país de exageros. Exagerámos quando conquistámos o Mundo, exagerámos quando o perdemos. Exageramos na felicidade e na tristeza, quando vencemos e quando perdemos, exageramos na gratidão e, talvez um pouco mais, na ingratidão, simplesmente porque exageramos em tudo o que é mais negativo. Vejamos: os adeptos do Benfica não gostam de Óscar Cardozo. Não tem carisma, parece lento, pastelão até, luta pouco, envergonhado e pouco exuberante. Olhando por olhar parece isso tudo. Mas tenho a certeza que quando o paraguaio assinou pelo clube encarnado, no seu contrato não dizia que ele tinha de ser exuberante, bonito ou ter o carisma do Obama. Marca golos, muitos golos, a maioria deles em grande estilo, brilhantes até. Faz passes de qualidade, tem noção de espaço e desmarcação, é o melhor avançado a jogar em Portugal. Exagero?
No FC Porto dá-se o inverso, exagera-se para mais. Falcão chegou, marcou (muito), ganhou títulos importantes e foi embora sem olhar para trás. Para a época 2012/2013 chegou outro colombiano, Jackson Martinez. Sim, chegou, marcou, ainda não ganhou nada, nem se foi embora, mas a época nem a meio vai. Dizem nas bancadas do estádio do Dragão que é melhor que Falcão, dizem porque é preciso esquecer um grande amor que partiu rumo a outros corações. Mas os exageros de amor são os que mais dificuldade têm de ser explicados pela razão e apesar de Martinez ser um jogador de elevada qualidade, Falcão é, presentemente, um dos cinco melhores do Mundo. Não exageremos, então.
No Sporting os exageros acumulam-se, para mais, para menos, para todo o lado. Rui Patrício foi literalmente pressionado ao extremo durante quatro anos. Agora, para os adeptos leoninos, já é o melhor do Mundo na posição de guarda-redes. Não é, está entre os cinco melhores, mas ainda falta um pouco para lá chegar. Matias Fernandez não servia porque estava sempre lesionado e ganhava muito dinheiro. Foi embora o melhor nº 10 que Alvalade viu depois de Balakov. Foi-se o chileno e ficou Izmailov, o melhor jogador do campeonato português para os adeptos verde-e-brancos. O russo está sempre pronto para jogar, nunca se lesiona e faz a posição 10 como ninguém. E ganha pouco, penso. Exagero? Pois é, nascido e criado em Portugal.
PS: Para os lados de Braga, talvez por estarem perto do berço da nação que é Guimarães, exagera-se ao nível da dívida pública portuguesa. Boa equipa, bons jogadores, óptimo treinador, mas até ser um grande tem, pelo menos, de ganhar alguma coisa... palpável. 
Hoje re-bolamos no exagero porque nos faz sentir felizes.

 
 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Tautau em peruano?

Lembro-me, quando andava na 4ª classe, de muitos colegas ficarem de castigo, a um canto, virados contra a parede. Nunca vi as tão faladas orelhas de burro, mas lembro-me também que apanhávamos reguadas nas mãos, castigo exemplar que moldaria o nosso carácter, pensavam na altura as professoras. Recordo-me que a senhora incumbida de me ensinar era conhecida das minhas avós e que, muitos anos depois, sempre que estas encontravam a dita, eram bombardeadas com inúmeros elogios relativos à minha educação e inteligência. Sim, as minhas mãos eram atacadas por uma régua com um buraco na ponta, mas eu era um puto exemplar, segundo a “batedora”, toma lá. Resumindo, pelos vistos os castigos devem ser impiedosos e marcantes para nos tornarmos exemplares. Por tudo isto percebo por que razão Carrillo não joga no Sporting. O jovem tem 20 anos, foi chamado à selecção do Peru, saiu à noite com a namorada e uns amigos quando não devia, logo está de castigo, talvez num canto, porque as réguas com buracos já não existem.
Não importa que o jovem internacional tenha sido o melhor jogador do SCP nas primeiras cinco jornadas. Muito menos que seja o único jogador do clube leonino que enfrenta as defesas contrárias sem medo ou hesitações, que faça assistências ou marque golos, não interessa, interessa castigá-lo por algo que fez bem longe de Lisboa. Deixo claro que gosto de disciplina, de pessoas que cumprem com as suas obrigações e respeitam códigos de conduta. Mas também gosto de pessoas que erram, que crescem e aprendem com os erros, mostram ser humanas. Defendo que se mostre firmeza e, sobretudo, que se faça ver que existem comportamentos profissionais inapropriadas, Carrillo teve um, ninguém dúvida. Já não gosto, no entanto, que um activo importante esteja sem trabalhar. Seja num hospital, num jornal, num clube desportivo, os activos estão lá para isso, trabalhar.
Penso que o pior castigo é obrigar, quem não esteve a altura, em determinado momento, a trabalhar o dobro, nunca deixá-lo longe das funções para o qual foi contratado. Perde a pessoa e perde quem o empregou, tendo na maioria das vezes um efeito psicológico deveras pernicioso, sobretudo nos jovens que ainda não têm uma estrutura emocional forte. Neste caso perde um jogador, que em breve estará nas fileiras de um grande clube europeu, e perde o Sporting que necessita de jogadores de categoria elevada para voltar a ser uma grande equipa e de dinheiro vivo para equilibrar as contas do clube. E ninguém contrata um funcionário que não mostra as suas qualidades profissionais. Já agora pergunto, o André Martins também está de castigo ou consideram que é inferior a Gelson, Elias e ao Adrien? Teremos em breve um novo sucesso do filme “João Moutinho e André Martins o Reencontro”? É que no caso do André Martins nem é preciso estar dentro do clube para perceber que o jovem repito, o jovem tem uma atitude exemplar dentro e fora de campo.
Hoje re-bolamos no tautau peruano!
 


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nós, os Jornalistas

Contam os meus pais que com 5/6 anos sentava-me no sofá, com o jornal A BOLA nas mãos e assim aprendi a ler. Na altura, o seu formato era enorme, quase tão grande como eu, consta, mas era um sinal. Anos mais tarde, consegui escrever milhares de palavras no jornal que me ensinou a saber o que queria ser quando fosse Grande. Foi isso mesmo, em criança ensinou-me a sonhar que seria um dos que informaria o público com a verdade, com profissionalismo, com esforço e dedicação. No meu primeiro emprego enquanto adulto mostrou-me como uma equipa de homens e mulheres, com o mesmo propósito, podem dignificar uma profissão que sempre foi nobre, que sempre mudou sociedades, paradigmas e sobretudo lutou contra inverdades. Hoje, apesar de já não sentir o cheiro tão característico de uma redacção, sinto que pelas que passei me fiz um ser humano pleno. Ao contrário, não sinto que nós jornalistas sejamos os mesmos que eramos há sete anos atrás. E a frustração aumenta sempre que lemos tanta desinformação, sempre que vejo ex-colegas, excelentes profissionais, obrigados a ceder nas suas convicções, a perderem o seu emprego, mais do que isso, o sonho que todos alimentámos durante tantos anos. A crise de liderança não passa apenas por quem nos governa na esfera política, passa muito por quem pensa na linha editorial, por quem escolhe “jornalistas”, por quem se esquece que a vida dá muitas voltas, hoje olhamos para baixo, amanhã
Nós, jornalistas, não somos respeitados porque não nos damos ao respeito. Nós que pensámos ser uma elite de poder, perdemo-nos nisso mesmo, no poder do ego de gente que acredita poder escrever tudo, mesmo que o tudo seja a soma simples do quase nada. Cada um por si, mesmo os que se gostam, portas que se fecham e outras que se abrem à incompetência amiga. O politicamente correcto de nunca colocar em causa a qualidade de colegas de ofício levou a nossa profissão ao nível mais baixo de reconhecimento e aceitação. Será assim tão mau dizer: “não sabes o que escreves ou o que dizes”? Hoje, ser jornalista é ser mais um, tantas são as “brincadeiras” para com leitores ou telespectadores, autênticos atestados de idiotice, simplesmente porque amanhã o jornal vende ou o programa tem a mesma audiência. É mentira! Poucos entendem que para informar é preciso estudar os temas, ser honesto, humilde e educado. Posso citar 50 nomes de grandes jornalistas que ainda fazem do seu trabalho a sua honra (na A BOLA, no Record, no MaisFutebol, no Expresso, no Público, na RTP). Grandiosos no seu carácter, brilhantes nos seus dedos, na sua voz, na sua inteligência. Posso citar outros tantos que na vaidade da sua carteira profissional, dia após dia, destroem um sonho de décadas. Talvez sejam almas vazias de profissionalismo, não consigo chamar aberração da natureza a ninguém.
Ps: Hoje Re-Bolamos com muita força para os colegas que nos jornais veem o seu posto de trabalho em perigo. Sempre solidário com todos os verdadeiros guardiões da nossa profissão.  

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Baixa da TQF das equipas portuguesas

A primeira ronda de jogos das equipas portuguesas nas competições europeias está concluída e uma realidade difícil de aceitar abateu-se sobre todos os portugueses: a taxa de qualidade futebolística (TQF) baixou. Estranho que o sentimento seja doloroso, sobretudo porque quando uma taxa baixa, geralmente é boa notícia. Neste caso o prejuízo é enorme para os adeptos e patrões, para a esperança e a moral. A única boa notícia é constatar-se que o FC. Porto continua a mostrar que é o único clube em Portugal, actualmente, com dimensão europeia, que pode ganhar qualquer jogo e que mesmo sem Hulk a equipa não perde qualidade, ou, sobretudo, eficácia. Não fez um jogo brilhante, mas chegou a Zagreb, num ambiente difícil e venceu, sem grande esforço, o Dínamo onde joga o defesa central português Tonel. Começar a ganhar na Liga dos Campeões (LC) é, na maioria dos casos, um passo decisivo para o apuramento para os oitavos de final. E o FC Porto não falhou. Tal como não falhou o carácter e profissionalismo de Lucho Gonzalez, mesmo numa hora difícil com a morte do seu pai. Respeito!
O Benfica deslocou-se a Glasgow para defrontar o Celtic num jogo que se pensava difícil, mas onde a equipa portuguesa partia como favorita, apesar de não poder contar com jogadores influentes. Defendeu bem, atacou menos mal. Foi solidária, mas com pouco futebol de qualidade. Jorge Jesus afirmou, após o jogo, que ganhou uma equipa, mas os adeptos não o sentem, prometeu evolução e vitórias, mas poucos acreditam que esta equipa possa chegar longe na LC. E existe o Barcelona, mas pior, há um Spartak de Moscovo que perdeu em Camp Nou por 3-2, obrigando o vice-campeão espanhol a um esforço triplicado. A equipa russa é forte e o Benfica terá de aumentar bastante a taxa, com certeza os seus adeptos apoiarão. A estreia do SC Braga na Liga dos Campões começou com uma fria derrota. O Cluj, a equipa mais portuguesa da Roménia, aterrou em Braga, correu, mostrou qualidade, controlou o jogo bracarense, marcou dois golos e voltou para casa feliz. O Braga mostrou que apesar do crescimento dos últimos anos, precisa primeiro de ganhar qualquer troféu a nível interno, só depois pensar em voos mais altos na elite europeia.   
Na Liga Europa (LE) a Académica estrou-se com uma derrota por 3-1-frente ao Viktoria Plzen, campeão da República Checa. Os estudantes mostraram uma equipa organizada nos primeiros 30 minutos, marcaram um golo numa excelente jogada de ataque, mas a qualidade da equipa checa é superior, mais experiente e o árbitro decidiu participar na praxe académica. A frase “os treinadores é que trabalham com os jogadores” é politicamente correcta, mas é difícil entender o que faz um treinador abdicar de um dos melhores guarda-redes a jogar em Portugal, Peiser. Na Madeira o Marítimo recebeu o Newcastle num jogo que se resume a três remates aos postes, alguns lances de bola parada perigosos, os ingleses a jogarem com uma equipa B e um final de tarde deveras bonito. A taxa é baixa, ninguém saiu a ganhar, excepto o turismo madeirense que agradecerá a chagada de muitos ingleses nos próximos tempos à ilha. 
A jornada europeia terminou com a recepção do Sporting ao Basileia. Existe uma noção de realidade em Alvalade assustadora. O treinador afirma categoricamente que a equipa está bem, merece vencer, pratica bom futebol. Inverdade, a equipa não pratica bom futebol, existem jogadores que estão bem longe do nível da época passada, Jeffren continua desaparecido, Labyad só conta 10 minutos, Rinaudo demora a recuperar. Carriço e Pereirinha são elementos sem qualidade para um clube como o Sporting, o avançado Viola só dá música nos treinos e Elias, internacional brasileiro, precisa fazer 30 remates para acertar uma vez na baliza. Sá Pinto não dura mais 90 minutos em Alvalade, os mesmos minutos que ontem levaram os adeptos ao desespero. E o Basileia nunca pensou chegar a Lisboa e ter a iniciativa de jogo. Sim, ontem o Sporting jogou, mais uma vez, como equipa pequena, a defender no seu meio campo e Wolfswinkel a correr sozinho perseguindo os defesas suiços. Sá Pinto tem um mérito, criou uma nova posição num jogo de futebol e para sempre será recordado por isso: o rabiado!

Hoje re-bolamos na relva azul-branca.

 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sorri Ronaldo



“O Ronaldo está triste, mas eu fico muita contente sempre que o vejo jogar”. O meu irmão Manuel, de 11 anos, saiu-se com esta pérola hoje à hora de almoço. Apesar do infeliz “muita”, o puto, como tantos outros da mesma idade, delira quando vê o Cristiano a marcar golos, a correr, a fintar, a festejar, alegre. Delira o puto, o irmão do puto, a namorada do irmão, a mãe, o avô, o cão e até a tia-avó que mora numa pequena aldeia perdida na serra. Por isso Cristiano, não fiques triste, sente-te antes muito contente por fazeres tantos de nós felizes. Sim, é verdade, nós aqui em Portugal, os que gostam de ti, os que se reveem no sucesso de um compatriota, também ficamos tristes com a forma xenófoba como te tratam em Espanha, até em Madrid, em alguns sectores. Pensa que o grande ídolo da plateia madridista, Raúl, demorou 16 anos para marcar 323 golos. Tu, em três, já marcaste quase metade (151). Acredita que por cada espanhol que te insulta e despreza a tua pátria, existem dois portugueses que te defendem e não aceitam que nos tratem como seres inferiores. E sim, não sabemos, nem precisamos saber porque estás triste, sabemos que ninguém está proibido de sentir, mesmo que seja rico (desculpa, mas bonito sou eu!) e o melhor no que faz. 
No final do jogo com o Barcelona, onde marcaste o golo da vitória que possibilitou ao Real Madrid vencer a Supertaça espanhola, as bancadas repletas do Santago Barnabéu gritaram o nome de… Pepe! Certo, é o melhor central do Mundo, também português, adoramo-lo! Mas para além do golo que deu a vitória na Supertaça, também foste tu que ajudaste a defender o jogo todo, que correste que nem um louco a pressionar a defesa catalã nos últimos minutos, foste tu que passaste pela “vergonha” de andar atrás de uma bola que ninguém consegue tirar aos jogadores do Barcelona. E se tu, o melhor do Mundo, faz isso em prol da equipa quando mais ninguém teve vontade de o fazer, mereces, no mínimo, respeito. A típica frase da maioria dos espanhóis que “respeito não se pede, conquista-se” é um hino à hipocrisia, melhor, pura estupidez, e reflete bem a mentalidade de um povo que se pensa superior (não é só no desporto), mas que se odeia entre si. 151 golos marcados em 149 jogos, uma Taça do Rei, golo decisivo, um campeonato, 46 golos, um dos quais em Camp Nou, frente ao Barcelona, que deu o título ao Real Madrid. Meias-finais da Champions League, meias-finais do Campeonato na Europa com Portugal, dois golos na Supertaça de Espanha ao Barcelona. Tens de ganhar respeito?
Sabes, pensamos que deves ser politicamente mais correcto, sorrir muito quando perdes, isso de ficar mal-humorado é coisa de pessoa arrogante e mal-educada, sabes como é! Deves também ser menos expressivo quando algo te aborrece, ou baixares a cabeça em sinal de subserviência, nunca reclamar com nada nem ninguém, e dizeres a toda a hora que os melhores do Mundo são sempre os teus colegas de equipa e/ou o Messi. Tu és só mais um, jogares ou não jogares é quase a mesma coisa, porque marcar 68 golos, em todas as competições, numa só época, é de um jogador que não merece respeito. O meu irmão no entanto continuará a adorar-te e defender-te daqueles que dizem mal de ti, sim porque eles andam aí. E permite que te digamos (o Manel está aqui ao lado): enquanto não voltares a ficar muito feliz, ele, o puto, não dá mais beijinhos à namorada o que, nesta idade em que começa a descobrir como é bom gostar de meninas, pode ter um efeito nefasto na sua vida futura, levando-o mais tarde a namorar com três ou quatro ao mesmo tempo o que, para os nossos pais, seria uma despesa enorme em almoços e jantares de apresentação das respectivas.  
Hoje és tu que Re-Bolas na Relva, a  sorrir, leste Cristiano?!


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Luta com eles Sá Pinto


“Sporting para sempre” eis a frase que se ergueu nas bancadas do estádio de Alvalade no início do jogo entre o Sporting e o Rio-Ave. O apoio das claques leoninas à equipa era incondicional, apoio esse que passados 90 minutos se reduziu a uma pessoa apenas: Ricardo Sá Pinto. O treinador do Sporting é a estrela maior do clube, o foco de todos os elogios, deixando para segundo plano os jogadores. Sá Pinto é sportinguista, vibra e sofre pelo clube, foi um jogador que sempre lutou até ao limite, todos sabemos. Por outro lado, Sá Pinto, enquanto jogador, agrediu um seleccionador Nacional, teve um episódio idêntico, como dirigente, com Liedson e tudo isso é uma alegria para os grupos organizados de apoio ao Sporting que cantam em plenos pulmões “aperta com eles Sá Pinto”. Sim, as claques do Sporting são e sempre foram parte importante do clube, elogiadas pelos cânticos e apoio ao clube, num registo de fidelidade inquestionável. Mas eles, eles são jogadores profissionais de futebol, homens com personalidade, que não devem gostar de ser tratados como meninos da equipa de juvenis. Eles, sim eles são quase todos internacionais pelas suas selecções, muitas vezes comandados por grandes treinadores, com provas dadas. Eles, com certeza, prefeririam ouvir “luta com eles Sá Pinto” porque ninguém, nem mesmo quem canta, gosta de ser apertado.
Dez minutos após o começo do jogo já todos nas bancadas percebiam a dinâmica de jogo do Sporting. No banco de suplentes do Rio-Ave foram precisos apenas dois. Rui Patrício passa a bola para um dos centrais que a cede ao companheiro do centro da defesa. Este passa para Ínsua que lhe devolve a bola num acto de espirito de equipa. Cedric começa a ficar triste e lá lhe passam o esférico. Carrillo quer participar na brincadeira e desloca-se para o centro do terreno para receber o passe do colega e deixar que Cedric ocupe o seu lugar como extremo-direito, criando com isso um hipotético desequilíbrio na equipa de Vila-do-Conde. Não resulta e a bola volta a Rui Patrício. Tentam então a mesma jogada agora pelo lado esquerdo, mas Ínsua jogou pouco na pré-época e não está para grandes corridas, Capel está ainda longe do que foi na época transacta e Rui Patrício de novo com a bola. Tenta-se agora pelo meio, Gelson para Elias, Elias para Gelson, ali coladinhos, como bons companheiros. Adrien já adormeceu, Wolfswinkel corre de um lado para o outro, sempre assobiado, porque se esforça muito e não consegue passar por cinco defesas sozinho, malandro.
Três remates à baliza por parte do Sporting durante os primeiros 45 minutos, 1-0 para o Rio Ave que rematou apenas uma vez, 3+1=4, foi deveras bonito o jogo na 1ª parte. Ao intervalo entram na equipa leonina André Martins e o reforço marroquino Labyad, ficam no balneário Elias e Adrien. No 1º jogo da Liga Europa frente ao Horsens, com Adrien na posição 8 do meio campo e com Labyad a 10, a equipa melhorou, mostrou um meio campo forte, rápido, mas muitos dirão que eram dinamarqueses, certo. Os minutos passam, André Martins mostra alguma da sua qualidade de passe, a rapidez aumenta ligeiramente e tenta-se uma nova abordagem: como os centrais do Rio-Ave são altos e a especialidade do avançado holandês do Sporting não é o jogo aéreo, tudo a centrar bolas altas para a grande área dos vila-condenses. Malandro do holandês, ali sozinho entre dois defesas, não faz uma recepção de bola em condições, muito menos consegue um golo, fora com ele. O Rio- Ave, em contra-ataque, quase marca o segundo golo, o avançado argentino Viola faz a sua estreia e o defesa central Rojo acaba como ponta-de-lança. Zero jogo, zero golos, derrota e uma estrondosa assobiadela aos jogadores. Sá Pinto é o último a abandonar o relvado, ovacionado de pé pelas claques e no final, perante os jornalistas, afirma: “estamos muito fortes.” Quem?
Hoje, horas após a primeira derrota do Sporting no campeonato, opina-se, dramatiza-se, surgem velhos fantasmas nos adeptos do Sporting e põe-se em causa todo o trabalho realizado em Alvalade. Errado. Muitos dirão que os jornalistas só atacam o Sporting, nunca questionam o FC Porto e o Benfica, “porrada neles”. Errado também. O plantel tem excelentes jogadores, já praticou futebol de qualidade na época passada e com menos soluções, Carlos Freitas e Luís Duque experiência e sabedoria e o treinador do Sporting tem força e mística nas bancadas. Confrangedor é ter-se presenciado a três jogos oficiais horríveis por parte a equipa leonina, com o treinador a afirmar precisamente o contrário. Se o guarda-redes é dos melhores do Mundos, a defesa tem tremenda qualidade, existem boas soluções para o meio campo, nas alas estão excelentes jogadores e existe um avançado que não desaprendeu de uma época para a outra, como pode o Sporting jogar tão mal? Sim, neste momento o futebol é mau e isso espanta todos, adeptos, adversários, jornalistas e, segundo me foi informado, a maioria das mulheres que detesta que o Wolfswinkel seja insultado.
Hoje re-bolamos com o Sá Pinto de suspensórios

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Re-bolamos na queda musical alemã



Sá Pinto, treinador do Sporting, mantém um silêncio sepulcral relativamente aos “casos” Adrien, Jeffren e Onyewu. Conta com todos e gosta de todos, diz. O treinador do FC Porto, Vítor Pereira, fala abertamente sobre as agressões entre Álvaro Pereira e Kléber. Jorge Jesus, timoneiro máximo do SL Benfica ainda não veio a público afirmar que o clube encarnado vai ganhar o campeonato e a Liga dos Campeões. Com tudo isto, existirá por certo algum plano secreto de austeridade, que resultará numa transformação do futebol em Portugal.

Realizou-se ontem a 1ª edição do troféu Cinco Violinos com o Sporting a vencer o Olympiakos por 1-0, golo de Elias. Viu-se uma equipa com um futebol lento e pouco criativo na 1ª parte, ligeiramente melhor na 2ª, mas muito longe das prestações do último terço do campeonato transacto. Boa estreia de Labyad, Adrien em excelente plano, centrais com muita qualidade, mas resta saber quando Sá Pinto vai perceber que Rinaudo é o único trinco da equipa que consegue, com competência, fazer a transição defensiva para a ofensiva. Facilitaria tudo. Ainda por Alvalade, desde que o antigo internacional português foi escolhido para dirigir a equipa, o grande lema é “aperta com eles”. Apertar é o verbo indicado, nas contas/gastos, nas declarações e presumivelmente no balneário. Comprou-se bom e barato, em teoria, sobretudo para posições deveras fragilizadas em campeonatos anteriores, tornando a equipa mais competitiva e capaz de lutar pelo título, em teoria, novamente. Fala-se pouco e o pouco que se diz é para elogiar os “24-25 titulares da equipa”. Fora do clube, no entanto, advogados e pais de jogadores produzem monólogos surdos. Declarações enigmáticas no Twitter também existem para os lados dos EUA e para juntar ao festim, um presidente da Assembleia Geral que anda triste por não poder dizer o que pensa.

O Benfica deslocou-se à Alemanha para mais um jogo de preparação, no caso para defrontar o Fortuna de Dusseldorf. Enquanto houve futebol os encarnados deixaram uma imagem de pouca qualidade e dinâmica. A pré-época foi longa e dura, normal que o cansaço acumulado se reflita nesta última semana antes do início do campeonato. Depois, o momento mémé[1] com árbitro a querer expulsar Javi Garcia, Luisão a encostar-se ao juiz numa tentativa de com ele dançar um “pagode”, mas sem o efeito esperado tal foi a força do encontrão que deu no seu par: o senhor alto e bem constituído caiu inanimado no relvado e ali ficou durante uns segundos. Emoção pela tamanha dose de carinho, ou híper criatividade na hora de dar a tampa? Muitos foram os sorrisos entre técnicos, jogadores e dirigentes do Benfica perante a situação caricata que, de tão caricata, pode levar à suspensão do jogador brasileiro durante alguns meses. Existem vídeos que com certeza não farão rir os responsáveis do Benfica e isso sim, é muito negativo para o futebol português, clube e atleta.

O FC Porto ganhou a Supertaça ao vencer a Académica 1-0, com golo do reforço Jackson aos 90+1 m. Sem Álvaro Pereira e Kléber, os dois jogadores que durante um treino decidiram praticar um desporto que não o futebol, os campeões nacionais, mesmo sem grandes rasgos de qualidade, dominaram durante os 90 minutos uma Académica que tentou repetir a fórmula que possibilitou vencer o Sporting na final da Taça de Portugal, sem o mesmo sucesso. Nota interessante do jogo foi perceber que durante 57 minutos o treinador do FC Porto tentou mostrar aos portugueses como é possível Defour fazer esquecer João Moutinho. Não é possível.   

Hoje re-bolamos solidários com o árbitro alemão e ao som dos cinco violinos.


[1] Momento cómico de alta qualidade. E sim, se repararem as ovelhas estão sempre a rir

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Em águas de prata

Sem champanhe e órgãos de comunicação social presentes, a “inauguração” do Re-Bola na Relva fica marcado pela conquista da 1ª medalha para Portugal nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Fernando Pimenta e Emanuel Silva, no K2 1.000 metros, terminaram a prova no 2º lugar, conseguindo assim a medalha de Prata por que todos os portugueses ansiavam. Contra todas as expectativas os dois atletas remaram para um feito inédito, merecendo todo o reconhecimento da Nação, o aplauso unânime e uma recepção digna aquando da sua chegada. Se uma medalha é pouco para um País tão grande e competente como o nosso, já veremos.

Ainda os dois remadores estavam na água e logo começaram as discussões estéreis de que se deve apostar mais nas modalidades e menos no futebol, ou se valerá a pena gastar tantos milhões para se ganhar apenas uma medalha. Em Portugal é culturalmente impossível igualar o futebol a qualquer outro desporto, tal como é impossível estarem 50 mil pessoas a assistir a uma prova de remo, judo e até mesmo a um meeting de atletismo. A verdade é que nem uma luta na lama entre mulheres semi-nuas conseguiria encher um estádio de futebol. Hoje e sempre, sendo o sempre relativo ao nossos tempo de vida, as massas preferirão uma bola na relva.

Parando para pensar, num país onde o futebol é o desporto mais apreciado/praticado e as dificuldades de recrutamento são tão elevadas ao ponto de não existirem mais de 20/25 jogadores de qualidade para a Selecção Nacional (com optimismo), como se pode exigir que atletas de modalidades ditas amadoras consigam sucessivamente grandes feitos? Para formar desportistas fortes e com mentalidade ganhadora é preciso que a sociedade portuguesa mude, uma vez que até nos bons resultados a tónica reinante é de crítica e desprezo pelos feitos que se conseguem. É, sem dúvida, bem mais reconfortante “chorar” as ausências de Naíde Gomes, Nelson Évora e Francis Obikwelu. E sim, os responsáveis máximos do País devem criar mais e melhores condições para os atletas das modalidades amadoras.

Ainda em relação a Londres 2012, será curioso saber que equipa vai defrontar o Dream Team dos USA na final de Basquetebol. Tem sido avassalador o jogo apresentado pelos atletas da NBA e com Kobe Bryant, Kevin Durant, Lebron James – referindo apenas os três melhores jogadores do Mundo - parece impossível alguém conseguir vencer os americanos. Retiro o que foi referido anteriormente, se o Dream Team viesse a Portugal fazer um jogo teria com facilidade 60 mil pessoas a assistir. Devemos talvez voltar à discussão sobre futebol e modalidade, mas só talvez...

No atletismo todos esperam uma final dos 200 m escaldante, com Usain Bolt como grande favorito. Depois da rapidez com que o jamaicano correu os 100m, poucos são os que agora duvidam que o atleta será elevado ao nível dos super-heróis, sem capa, mas com uma respiração tão calma que quase parece que acabou de sair da cama. Falando em super-heróis, o nadador americano Michael Felps retira-se da alta competição com 22 medalhas olímpicas. Um “tubarão humano” que perdurará nos livros da história dos superdotados. 

Hoje re-bolamos e festejamos na água de prata.