quarta-feira, 26 de junho de 2013

Apito Final


O FC Porto sagrou-se campeão nacional de futebol na época 2012-2013. Com mérito porque acabou com mais pontos e os números não mentem. O Vitória de Guimarães conquistou a Taça de Portugal. O SL Benfica perdeu tudo no fim da linha. O Sporting fez a pior época futebolística da sua história e o Paços de Ferreira conquistou, brilhantemente, uma presença na Liga dos Campeões. O Belenenses, um histórico do futebol nacional, regressa com competência à 1ª Liga juntamente com o Arouca, um estreante na liga principal. No Futsal o Sporting realizou a época perfeita, conquistou Campeonato e a Taça de Portugal com uma superioridade brilhante. Em Espanha o clã português não venceu qualquer título. A época resume-se a críticas ferozes e ataques pessoais, a despedidas e algumas continuidades… até ver.
Foram 10 meses de intensa competição, vitórias contagiantes e derrotas com lágrimas, muitas polémicas, grandes golos, defesas extraordinárias, falhanços incríveis. Bons e maus árbitros pisaram a relva, treinadores capazes, outros nem tanto. Dirigentes fracos na sua maioria, felizmente existem alguns com capacidade emocional e inteligência. Bom e mau jornalismo desportivo, relva curta e relva alta, algum re-bolanço e um apito final.
Hoje re-bolamos num abraço a todos vocês

segunda-feira, 13 de maio de 2013

As semelhanças entre o Sporting e o Benfica


Existe alguma semelhança entre o Sporting e o Benfica? Nenhuma. São clubes completamente antagónicos, hoje, no passado, e com certeza no futuro. Há, no entanto, momentos da história que nos fazem acreditar que as almas gémeas são uma realidade, qual sensação amorosa de destino dramaticamente romântico e impiedoso. Na penúltima jornada do campeonato, o Sporting perdeu a possibilidade de disputar qualquer competição europeia na época 2013/2014. Tal fracasso acontece ao clube de Alvalade pela 2ª vez na sua centenária história, após uma época miserável onde três treinadores, uma Direcção demissionária e eleições ajudaram a afundar um barco há muito à deriva. Jesualdo Ferreira, o terceiro, competente e conhecedor do futebol português, ainda tentou fazer um milagre, apostou nos jovens talentos da formação do clube, deu confiança aos mais experientes, a equipa melhorou. Os mais jovens como Bruma, Ilori, Dier e Zézinho, mostraram grande capacidade, Capel, Rojo, Rinaudo e André Martins, elevaram jogo colectivo da equipa a um patamar superior, mas o estrago estava feito. Bater no fundo de alguma coisa sem ser metafórica pode ser positivo, caso os responsáveis máximos do Sporting saibam, de uma vez por todas, identificar os problemas, corrigi-los e transformar as últimas épocas desastrosas, na base de um crescimento sustentado. O Sporting chegou ao limite do erro, a partir deste momento ou cresce ou desaparece, porque um clube tão grande não pode mostrar algo tão pequeno. Isto à semelhança do que aconteceu ao Benfica até à entrada (2003) do actual presidente do clube, Luís Filipe Vieira e após terriveis anos com Vale e Azevedo e Manuel Vilarinho à frente do clube.

Repito, não existem semelhanças entre os dois grandes clubes de Lisboa. Repito ainda que apesar de alguns momentos da história poderem exaltar a ilusão de um final feliz com corações cor-de-rosa, nada fará os dois rivais passearem na rua de mão dada. No mesmo dia em que o Sporting se envergonhou, o Benfica, pelo 2º ano consecutivo, perde o campeonato para o FC Porto (ninguém acredita que o clube da invicta perca pontos na última jornada em Paços de Ferreira). Luís Filipe Vieira apostou mais uma vez numa equipa forte, com jogadores de eleição, muito caros, mas de eleição. Jorge Jesus mereceu a confiança do dirigente encarnado e o Benfica fez um campeonato digno das melhores equipas europeias. Venceu quase sempre, praticou um futebol bonito, efectivo, chegou a três jornadas do fim com quatro pontos de avanço sobre o FC. Porto e festejou (como se viu contra o Marítimo). Em dois jogos perdeu cinco pontos, perdeu o campeonato, perdeu a euforia, o produto interno benfiquista caiu a pique e tudo é agora colocado em causa: treinador, jogadores, a águia e o seu tratador. Concordo que não existem desculpas, que o Benfica não pode perder o campeonato, dois anos consecutivos, nas últimas jornadas, com cinco pontos de vantagem em 2011-2012 e quatro pontos esta época. Mas esquecem-se os sócios do clube encarnado que faltam disputar duas finais, a da Liga Europa e a Taça de Portugal, numa época que ainda poderá ser de sonho para os benfiquistas. Num cenário menos vitorioso, pode, na verdade, tornar-se na época do “quase”. Isto à semelhança do que aconteceu ao Sporting de José Peseiro em 2005.

Hoje Re-Bolamos nas não semelhanças.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Má Escolha de Liedson

A relação de Liedson com o FC Porto está para o futebol, como a de um marido que se divorcia da mulher devido aos enormes seios da melhor amiga da dita e que se arrepende passados três meses. O luso-brasileiro foi rei no Sporting, foi idolatrado, defendido sem hesitações e aplaudido de pé por todos os sportinguistas aquando da sua saída de Alvalade. Entre muitos sorrisos, suor e lágrimas, conquistou a Taça de Portugal e a Supertaça duas vezes. Em oito temporadas realizou 313 jogos de leão ao peito, marcou 171 golos. No seu 300º jogo pelo Sporting, frente ao Gent, a contar para a Liga Europa, tornou-se o jogador estrangeiro com mais golos marcados em competições europeias ao serviço de clubes portugueses, totalizando assim 26 golos europeus. No clube verde-branco nunca foi campeão, a sua grande tristeza, como tantas vezes referiu, e acabou por deixar o Sporting no dia 4 de Fevereiro de 2011 rumou ao Corinthians, no Brasil. Rumou porque assim os dirigentes quiseram, foi porque também o quis, com certeza.
Dois anos depois, e após a conquista do campeonato brasileiro com o Corinthians onde marcou 31 golos em 88 jogos e uma passagem com pouco sucesso pelo Flamengo, regressa a Portugal no inverno de 2013 para representar um dos grandes rivais do Sporting, o FC Porto. Os “enormes seios” foram irresistíveis e, pelas palavras do avançado, eram “um sonho de longa data”. Ou seja, enquanto recebia todo o amor por parte dos adeptos do Sporting, Liedson há muito cobiçava as maminhas portuenses. Cobiçou e conquistou. Abraços e beijos à chegada, alguma paciência porque chegou fora de forma, sem ritmo suficiente para aguentar tão proeminentes e redondas exigências. Empenhou-se, treinou, mas não tocava porque no Porto é tudo feito com muito respeito. Treinou mais e mais, sem reclamar, foi correcto e gentil e as proeminências lá o deixaram, de vez em quando, fazer uns remates. Em três meses foi a jogo apenas 51 minutos e não conseguiu marcar nenhum golo. Arrependido?
Entre um passado vivido com glória, o presente aflitivo e pouco palpável e um futuro que só os astrólogos conhecerão (isto segundo o ministro das finanças português, Vítor Gaspar), Liedson podia e deveria ter escolhido todos os destinos do Mundo para acabar a sua carreira como futebolista, todos menos Portugal. Aqui a memória de um jogador franzino, mas valente, tímido nas palavras, mas eloquente na hora de marcar golos, ficaria para sempre intacta. Seria recordado como um dos melhores avançados de sempre do futebol português, a par de nomes como Yazalde, Torres, Manuel Fernandes, Gomes, Jardel ou Falcão, quer por sportinguistas, benfiquistas ou portistas. Hoje, no entanto, tenta-se entender o que leva um homem de 35 anos a escolher maminhas, sem entender que é para o rosto de quem adoramos que olharemos até ao fim dos nossos dias.
Hoje Re-Bolamos no pecado da gula


quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Magia de André Martins


Nunca gostei de frases como “eu bem avisei”, ou “eu não te disse?”, mas eu disse, ou melhor escrevi, a 25 de Agosto no texto Luta com Eles Sá Pinto e, mais tarde, a 5 de Novembro no texto Tautau Peruano, que André Martins é a chave do meio campo do Sporting. Ontem, em Braga frente ao Sporting local, enquanto teve forças foi o maestro na vitória do Sporting por 3-2 e, sobretudo, no melhor jogo ofensivo que a equipa realizou neste campeonato. Tudo o que fez fê-lo bem e volto a dizer: é o jogador mais evoluído do meio campo do clube de Alvalade em termos ofensivos. Também não gosto de me repetir, mas quando Jesualdo Ferreira, treinador competente/inteligente e com o grande mérito de estar a comandar de forma sustentada tantos jovens, abandonar a ideia de tornar Eric Dier num médio e perceber que pode ser, antes, um grande central, o meio campo do Sporting ficará bem mais forte com Rinaudo, Schaars (que regressa após prolongada lesão) e André Martins. Fica, no entanto, para mais tarde, uma análise mais aprofundada sobre este tema. Centremo-nos no jovem leão.
Época 2011-2012, 2ª mão das meias-finais da Liga Europa em Bilbau, frente ao Atlético. Na conferência de impressa que antecedeu a partida, o treinador da equipa basca, Marcelo Bielsa, por muitos considerado como um dos melhores do Mundo, destacou a classe e qualidade do jovem médio de 23 anos, atribuindo-lhe enorme importância na excelente exibição do Sporting no jogo da 1ª mão. Pura e verdadeira realidade. No 2º encontro, e apesar do clube português ter sido eliminado pela fúria espanhola já no final dos 90 minutos, a história repetiu-se, André Martins mostrou, novamente, qualidade suficiente para fazer tremer o meio-campo basco e fazer sonhar os adeptos leoninos. Ontem em Braga, idem. Aliás, sempre que joga, em perfeitas condições físicas, a equipa sobe um degrau. E quando a isto acresce um comportamento de verdadeiro profissional fora de campo, estranha-se, então, o porquê da tão pouca utilização.
Inegável que a lesão que contraiu no primeiro terço do campeonato quebrou o rendimento que vinha a apresentar. Mas mesmo não sendo sempre a primeira escolha para a equipa, passa por ali, pelo puro talento do miúdo, a resolução de muitos dos problemas ofensivos do Sporting. Comparando com o marroquino Labyad e Adrien, jogadores que fazem a mesma posição, apesar do africano jogar ligeiramente mais perto do avançado quando lhe é atribuída a função de homem mais ofensivo do meio campo, André Martins destaca-se pela rapidez de execução, velocidade e domínio dos espaços, com passes quase sempre certeiros. E tudo isto está demonstrado em números que, no entanto, não são precisos: basta ver um jogo com atenção. E basta, agora, o jogador de 23 anos não hesitar e ganhar em definitivo o papel para o qual sempre trabalhou. Ganha ele, o Sporting e Paulo Bento, se tiver a capacidade de ver para além de Ruben Micael ou Carlos Martins.
Hoje Re-Bolamos em 23 anos de classe

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Nirvana branco/blaugrana

Hoje de manhã no metropolitano sentei-me junto a um grupo de jovens adolescentes. Segundos depois oiço uma música dos Nirvana tocar num dos telemóveis e interroguei-me: mas estes miúdos ouvem Nirvana? Devo ter pensado alto porque me responderam: “sim ouvimos, Kurt Kobain é imortal e a música dos Nirvana mudou a nossa vida”. Percebi que os jovens tinham entre os 14 e os 15 anos, ou seja, a mesma idade que eu tinha quando ouvi pela primeira vez as músicas da banda de Seattle. Passaram 21 anos e aquela poderosa energia de talento acompanha de forma indubitável outra geração. Talento, o talento superior de uns, alimenta tantos outros e hoje, às 20 horas, em Camp Nou, lá estaremos todos para saborear a arte de 22 jogadores capazes de fazer parar o Mundo. Barcelona-Real Madrid ao som das músicas de Nirvana, o final de dia perfeito.
Quando os dois colossos espanhóis entrarem em campo sentir-se-á um autêntico o Territorial Pissings onde os atletas vão procurar encontrar a melhor forma de se superarem, tornarem-se alliens com poderes sobrenaturais e conquistar a vitória. Ali, no relvado, os medos, ansiedades e derrotas passadas serão colocadas numa Heart-Shaped Box. Não há espaço para fraquezas porque estas serão usadas para vencer, sem contemplações! Ao contrário do que cantou Kurt Kobain no Jesus Don't Want Me For a Sunbeam, muitos serão os raios de sol que iluminarão a noite catalã. Cristiano Ronaldo ou Messi, Ozil ou Iniesta, Pepe ou Puyol, outros, mas sempre alguém, uns chorarão, outros vão sorrir como nunca, ninguém vai mentir, o talento não mente, mesmo quando por vezes não vence.
O Plateau está pronto, venha o apito, a escalada de emoções, a ausência de razão, um remate, um desespero, um golo e muita alegria. Come As You Are, como queremos que sejas, sê perfeito porque neste momento o Mundo precisa de alguma perfeição, tu ou tu, tanto faz. Espera-se puro Lithium, espera-se uma noite quente de gladiadores em batalha num clima de paz. E o melhor do Mundo serei eu, tu, todos os que durante 90 minutos tiverem a possibilidade de observar 22 Kurt Kobain`s que também eles mudarão a vida de tantos adolescentes de 14/15 anos. Desses, das crianças e dos adultos que daqui a 20 anos dirão com uma alegria imensa que durante anos tiveram o mais puro talento diante dos seus olhos. E amanhã quando a minha mulher me perguntar Where Did You Sleep Last Night eu direi: “contigo e com o talento da tua paciência para me ver a vibrar tanto com um jogo de futebol”. 

Hoje Re-Bolamos para o Nirvana

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Somos todos adultos?

Bruma, 18 anos, jogador do Sporting Clube de Portugal, por muitos apontado como uma das grandes promessas da Academia leonina, estreou-se a marcar na equipa principal verde e branca na vitória por 2-3 frente ao Gil Vicente, em Barcelos. No final do jogo, nas entrevistas rápidas à SPORTTV, afirmou: “Actuámos com uma equipa muito jovem, mas já somos todos adultos”. É fácil pensar que um jovem de 18 anos não tem maturidade para jogar numa equipa com a exigência do Sporting, ainda mais numa temporada que tem sido, no mínimo, horrível em termos de exibições e resultados. Tal como é fácil afirmar que um jogador de 35 anos já acabou para o futebol. Menos fácil, ao instinto do facilitismo, é entender que quando existe qualidade a idade é subjectiva. Com 18 ou 35 anos, quando existe qualidade, empenho e carácter, a idade é como uma mulher que adoramos, mesmo que a dita tenha bigode,é pouco relevante. É, por outro lado, bastante relevante um jovem de 18 anos não ter medo de afirmar que é adulto suficiente para ajudar a equipa, sem medo.
Fácil seria agora escrever que o Sporting, depois da prestação tão bem conseguida pelos jovens da formação, resolveu todos os seus problemas. Difícil dizer que é mentira, mas é. Eric Dier é já um bom defesa-central, Tiago Ilori faz lembrar jogadores como Pepe, com aquela passada larga e rápida, Bruma tem tudo para ser um grande extremo, Esgaio é talentoso e tacticamente evoluído e André Martins, há muito que é um jogador acima da média. Por último o Zézinho, não engana, é como o algodão, vai ser um jogador de topo. No entanto, é crível que até ao final do campeonato nem sempre joguem como titulares, mas ficou a imagem de “miúdos adultos” capazes de correr, lutar, divertirem-se e, muito importante, vencerem. Venceram porque a qualidade está lá toda, resta saber, tal como disse o treinador leonino, Jesualdo Ferreira, qual o caminho que querem seguir. Parece-me que o caminho vai ser o correcto. Tal como é correcta a aposta de Jorge Jesus, treinador do Benfica, em André Almeida, um jogador que para a idade demonstra qualidades suficientes para se tornar num jogador de nível elevado. Mas para um clube como o Benfica, apenas um jogador da sua formação é… curto.
PS: parece-me que seria importante os clubes prepararem melhor os seus jogadores, sobretudo os mais jovens, ao nível da comunicação. Há muito que deixou de ser aceitável no futebol profissional que uma entrevista se torne deveras confrangedora. E qualquer professor de português, assessor de imprensa/jornalista pode ajudar nessa tarefa tão simples.
PS2: terá Paulo Bento capacidade de “olhar mais à frente” e pensar nalgum destes jovens que está a surgir a um nível já elevado e aproveitá-lo para o Mundial 2014 no Brasil, ou a receita de Rúben Micael, Rúben Amorim, Neto, Rolando ou Varela vai-nos levar ao triste fado de ter 11 jogadores de qualidade inquestionável e… nada mais? Todos sabemos que isso não chega numa competição como um Mundial.
Hoje re-bolamos como adultos!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Parabéns Great One

Hoje Cristiano Ronaldo faz 28 anos. Nunca é demais exaltar a qualidade superior daqueles que nos fazem perceber que podemos ser grandes se assim o quisermos. Depois das dificuldades pelas quais passou em criança, dos momentos menos felizes, fez-se enorme como jogador, gigante como pessoa, diz quem com ele partilha muitos momentos. Eu gosto de pessoas que emanem brilho, com a coragem suficiente para tentar ser melhor todos os dias. Eu gosto de quem nos faz sentir orgulhosos. E Ronaldo, como já escrevi em tempos, é a personificação da muita qualidade associada ao trabalho e à força de vontade. Na sua carreira disputou 601 jogos, marcou 340 golos, fez centenas de assistências para colegas marcarem e foi responsável por milhões de sorrisos nos rostos de quem o admira e idolatra. É este o exemplo que devemos seguir. No fim, todos, festejaremos algo grandioso. Parabéns ao melhor jogador português de sempre, The Great One!
Ps: falando ainda de qualidade, o FC Porto e o SL Benfica demonstram, jornada após jornada, que são capazes de praticar excelente futebol. Merecem, sem dúvida, o rótulo de melhores equipas do campeonato.

Hoje re-bolamos na grandeza!



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Lance perdido e três Chanel ganhas

O ciclista norte-americano Lance Armstrong confessou, perante o Mundo, que venceu sete vezes a Volta à França com a ajuda de substâncias proibidas que aumentavam o seu rendimento físico. Ganhar uma vez a prova mais exigente do ciclismo internacional é um feito, duas vezes um sonho, três vezes só ao alcance de um sobredotado. Vencer sete vezes foi, desde logo estranho, mas os super-heróis são sempre bem-vindos às sociedades que precisam, e todas precisam, de ídolos imortais. Parece-me que mais do que o uso do designado doping, a revolta de todos os que idolatravam e/ou respeitavam Armstrong passa pela traição de um sentimento de amor por alguém que nos fazia acreditar que podemos alcançar o inimaginável numa vida real. O facto de o americano ser “casado com uma bicicleta”, mas andar a trai-la com uma “moto” durante tantos anos não tem perdão, para a maioria. Percebo a emoção e até o radicalismo, sim, nada se faz sem honestidade. Essa é a estrutura base de qualquer carreira profissional. Pensando a frio, o grande erro de Armstrong foi não ter sido honesto consigo mesmo, ele é que viverá para sempre com a mentira que “disse” à sua mente e ao seu corpo. Hoje é um Lance perdido, nada mais do que isso, infelizmente. Sem mágoas, nem ressentimentos, porque os super-heróis não andam por aí, só existem dentro de nós.

Pépa Xavier, proeminente blogger de moda, quer ter uma mala clássica da Chanel (marca de qualidade superior), que fica bem com tudo, segunda a própria. Para tal  vai trabalhar, juntar dinheiro e comprar a dita. Godinho Lopes, presidente do Sporting Clube de Portugal, queria ganhar jogos e colocar o Sporting no lugar de respeito que merece. Com mais recursos que a jovem, “comprou” Jesualdo Ferreira, treinador clássico, de qualidade superior, que fica bem à frente de qualquer grupo de homens e começou a ganhar jogos. Numa época desportiva normal, três vitórias seguidas não seriam notícia num clube como o Sporting, mas esta temporada, até à data, são vistas como um feito. A equipa melhorou em quase tudo, chegou mesmo a entusiasmar, em determinados momentos dos jogos, os mais críticos e Jesualdo Ferreira tornou-se para o Sporting, em tão pouco tempo, o mesmo que a Chanel representa para a Pépa, um desejo concretizado de ter um treinador competente à frente da equipa, algo que não acontecia desde os tempos de Domingos Paciência. Não vai ganhar os jogos todos até ao fim da época, com certeza, mas a blogger, por mais que diga o contrário, também não consegue usar a mala em todas as ocasiões da sua vida.

Hoje Re-Bolamos em substâncias de alta qualidade

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Banco Alimentar Ronaldo & Mourinho

Cristiano Ronaldo e José Mourinho não são apenas enormes profissionais, ganhadores natos e ídolos em quase todo o Mundo: são um “banco alimentar” diário em forma de pessoas. Em Inglaterra já era assim, apesar da cultura desportiva no país de Sua Majestade ser completamente diferente da realidade da península ibérica. Em Espanha o fenómeno “escrevo para comer” cresceu exponencialmente. A cobertura dada aos dois maiores símbolos portugueses da actualidade é incessante, mordaz, poucas, mas algumas vezes elogiosa. A quantidade de profissionais da comunicação social, e outros que não o sendo debitam as mais variadas opiniões, que ganham a vida à custa dos dois portugueses é consideravelmente elevada. Com o jornalismo em crise, sobretudo na Europa e nos EUA, Ronaldo e Mourinho são o pão para a boca dos jornalistas espanhóis que, em alguns casos, mantiveram os seus empregos graças à pressão mediática que é necessário manter. O que os espanhóis não percebem é que, maltratando diariamente quem lhes dá de comer, quando os dois mudarem de campeonato/país, pouco ou nada haverá para escrever e... deglutir.

O Barcelona vencerá campeonatos atrás de campeonatos com a maior facilidade do Mundo, ninguém terá o nível de Leonel Messi, as conferências de imprensa serão sonolentas e cheias de lugares comuns e não poderão inventar notícias, num processo que transformou, desde há dois anos para cá, o jornalismo desportivo espanhol num romance de 3ª categoria. Mas sim, vende, e vende muito, e muitos recebem esse retorno tão elevado. Em Portugal, e sendo Espanha um país vizinho, faltou apostar em algo semelhante. Investir numa cobertura diária dos inúmeros jogadores portugueses a jogar em Espanha, sobretudo os do Real Madrid, mas não com notícias retiradas dos jornais espanhóis, estando antes presente, sempre. Poucos terão dúvidas que 90% dos leitores dos jornais desportivos em Portugal preferem ler uma conferência de imprensa na íntegra de José Mourinho (não falando dos exclusivos que Mourinho iria dar só para irritar a comunicação social espanhola), do que o discurso “sou pior que os mais maus” do Vítor Pereira ou do sexólogo Jorge Jesus e as suas considerações sobre a vida sexual, ou falta dela, dos seus jogadores.

Falando em apostas, hoje ao final da tarde serão entregues pela FIFA dos prémios de Melhor Jogador do Mundo e de Melhor Treinador do Mundo, com Cristiano Ronaldo e José Mourinho nomeados. Antecipo-me, não quero escrever algo amanhã que mais 20 colegas de profissão farão igual. Os dois portugueses vão perder o prémio para Messi (internacional argentino do Barcelona) e Del Bosque (seleccionador de Espanha). Perdem e muito bem dirão alguns, uma injustiça, dirão outros. Por mim ganhavam os dois porque me fazem sentir orgulhoso, mas isso pouco importa. Mourinho ganhou em todos os campeonatos em que competiu, só pode ser muito bom. E quem estiver atento aos jogos no relvado, que é onde interessa, e de uma forma honesta (sem clubismos ou nacionalismos), percebe que Ronaldo e Messi estão ao mesmo nível. Em alguns casos até as movimentações são iguais, apesar de jogarem em equipas tão distintas. Se uns gostam mais da forma de jogar de CR7, legítimo, acontecendo o mesmo quanto a Messi, mas fenomenal seria Florentino Perez, presidente do Real Madrid e Sando Rossel, o seu homólogo do Barcelona, trocassem os dois jogadores durante uma temporada, uma temporada apenas. O Mundo iria gostar, os jornalistas espanhóis também e todos manteriam os seus postos de trabalho. Mesmo que o romance de 3ª categoria se mantivesse.  

Hoje Re-Bolamos num "banco alimentar".